Jana Rosa

Quase famosa – como ter muitos seguidores na internet! (sem precisar da Kim Kardashian e na vida real)

Outro dia recebi um email com uma proposta sedutora, turbinar meus seguidores para muito mais, centenas de milhares, fácil e indolor, dormir gata borralheira e acordar Cinderela. Era tão interessante o email, que não consegui parar de ler, muito menos de responder para saber mais. Eu queria saber mais e mais, não conseguia parar de saber dessa proposta de “um milhão de dólares em barras de ouro virtuais”.

Nesse post mostro o printscreen  da conversa toda, ele é imenso, mas sabe como é, eu não consigo parar de dar corda e ficar chocada com como funciona esse mundo da internet, onde realmente qualquer um pode ser muito famoso, seguido e ter muitos likes em tudo o que posta.

Se você acreditava de coração que tudo que vê é verdade, pegue um lencinho de papel porque talvez rolem lagriminhas.

Começou assim:

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Atenção porque vamos falar de dinheiro!

 

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Eu, encantada com o email da criatura, respondi na mesma hora!

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Bruno, cujo sobrenome guardamos para manter anônimo, começa então sua grande saga de me tornar uma celebridade virtual

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Mas como sempre quero mais, eu não poderia me contentar só com likes e seguidores, queria comentaristas, queria confetes na minha fama!

 

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 E como sou batalhadora e tenho força de vontade, rolou sim!

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Era o grande negócio da minha vida! Atenção pra última frase: “Com likes e comentários, te deixar famosa…” Ah, que sonho, esse dia chegou! 

Mas ele tem seu preço!

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E o preço ás vezes é mais caro do que imaginamos…

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Mas eu ainda tinha algúmas dúvidas sobre esse job tão bom

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E não é qualquer um  não, viu gente!

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Giovana, Rafael? Entendiii, ok!

Depois disso, agradeci pelo orçamento, mas disse que agora não posso investir esse dinheiro na minha fama online. Que pena, ficamos de nos falar mais pra frente, caso eu esteja financeiramente pronta para enfim ser famosa., e as empresas verem que sou muito seguida e tenho muitos likes e comentários e investirem em publis comigo, para ganhar roupas porque afinal formo a opinião de milhares de seguidores que só crescem em números e likes, ser convidada para festas para postar pra aquela multidão de likes que não deixam escapar nenhum detalhe do que escrevo, principalmente aquela danadinha da Giovana, sempre comentando, sempre presente.

A vida. Ela é mesmo muito louca amigos….

(e sem preconceito algum, caso queiram o contato da agência pra conseguir ficar famosos na “websfera”, é só solicitar em jana@janarosa.com.br que dou o nome da empresa. Boa sorte!)

Como ser famosa – aprendendo com a Kim Kardashian e seu app

Se você não sabe que a Kim Kardashian lançou um app game de celular, deve viver num mundo triste onde ninguém conversa sobre groselha e notícias do Ego (te desejo luz e muita força, mas não posso dizer que seremos amigas algum dia!).

E nem me venha com papinho de “AI, NÃO CURTO A KIM KARDASHIAN”. Minha colega de trabalho, que mala você! Kim Kardashian é uma pessoa viciante, porque você nunca sabe se ama ou odeia, se ela é gorda ou magra, se ela é chique ou cafona, se casou por amor ou por fama. E é só isso que uma celebridade tem que ter pra preencher nosso coração e o tempo que deveríamos estar gastando malhando a parte interna da coxa, mas estamos olhando o celular em busca de timelines alheias.

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Nós duas juntinhas uma vez em NY, pena que eu era celebridade E e ela era de cera

KIM KARDASHIAN: HOLLYWOOD é tão altamente viciante que pode ser chamado de nova droga sais de banho, novo chocolate na TPM, algo mais alucinante do que acompanhar o instagram da Thaila Ayala pra ver se não vai ter jeito dela algum dia aparecer cheinha numa foto. Fortes emoções envolvidas.

E precisa ser forte mesmo, porque o mundo das celebridades não é pra qualquer um. Ele é dificil, ele é cansativo, você tem que fazer coisas que todos acham legais mas no fundo são chatas, fingir que gosta das pessoas que fingem que gostam de você em troca, tem que ter determinação demais e até gastar algum dinheiro pra investir nos seus sonhos.

Eu que sou uma celebridade A no jogo, número 12 no meu ranking atualmente, vim aqui dizer algumas verdades sobre os ensinamentos da Kim caso você queira ser uma grande celeb um dia, no app ou na vida!

Verdades do jogo da Kim (que como alertou a Nina Lemos, é melhor ser mantido longe das crianças)

- Basicamente a meta do game é você virar uma celebridade e vencer em Hollywood, assim como a Kim, claro!

- É bagaceiríssimo o caminho da fama na vida real, mas em Kardashian Hollywood ele é super fácil e romântico, vai! Pra quem não lembra, a Kim sempre foi de uma família de grana, mas “BATALHOU” muito pra chegar onde chegou (e chegou querida, hoje ela tem mais seguidores que a Beyonça no instagram, tá boa?). Ela foi stylist de famosas tipo Lindsay Lohan, amiga da Paris Hilton (pra mim essa é a mais sofrida), teve seu filme pornô com o namoradinho exposto, foi gongada pela Anna Wintour de entrar naquele baile do MET que o povo da moda paga o maior pau. Kim comeu o pão que o diabo amassou com diamantes.

- Assim como a Kim, sua subceleb sonhadora começa no jogo como vendedora em Los Angeles, uma mocinha com muita esperança em vencer. E quem começa a te ajudar na carreira é ela, claro, a Kim! E ela te ajuda a ser modelo hahaha. Infelizmente não tem a opção ser atriz ou apresentadora no game, Kim arruma isso agora!

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Kim me deu muita força no começo e o melhor aconteceu, meu aníver no jogo foi no dia do meu verdadeiro aníver ahahahahahaha

- Basicamente você passa o jogo inteiro posando pra campanhas, capas de revista e fazendo presença em eventos miados. Mas a parte boa é que começa como uma celeb E e tem que virar uma celeb A-list, isso te dá uma garra, uma força, sangue nozóio, você precisa ser famosa a qualquer custo!

- No meu caso fiquei tão alucinada com a ideia de ser uma celebridade que comprei com dinheiro de verdade dinheirinhos e estrelinha que são a moeda da Kim, presenteei um boy celebridade D pra tentar seduzi-lo e chamar a atenção da mídia namorando (o tipo de dica que o jogo dá e na vida real funciona caso você conheça o pessoal do Ego e consiga armar um flagra) e ele me disse que nem tava afim porque eu não era famosa.

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Meu primeiro date, a Kim que me apresentou ela é muito generosa! A mídia me notou graças a ela!

- Basicamente o caminho da fama é esse, fazer um monte de presença de loja e evento tosco também, pra sair em galerias de fotos de site e talvez na microfoto da Caras e fingir que é amiga de famosos em camarotes pra ser seguida no instagram por eles e, SE DEUS QUISER, eles te marcarem numa foto do instagram bombado deles. Isso na vida real, porque “GRANDE FALHA” não tem instagram no game da Kim, tá louca??? Coloque já!

- Outra meta na sua vida é comprar muito. Muita roupa, tipos de penteado, sapatos, bolsas, acessórios, casas, móveis, carro pra parar de pegar metrô. E a guru Kim avisa “quanto mais você gastar seu dinheiro comprando e tendo coisas, mudando o visual, mais vão te achar famosa e mais famosa você vai ficar”

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Tive que andar muito de biquíni por aí pra virar celeb B.

- Dinheiro atrai dinheiro, por isso pra crescer nessa vida ruma ao estrelado, você tem que ir nos cabelereiros bombados, usar roupas de marca e postar que está em jantares de restaurantes caros. Caso contrário, seja para sempre uma celeb E pobrinha, fofinha.

- Sempre tem a fofy que diz “Não tenho tempo pra essas merdas”, mas não vamos enganar ninguém ok? O tempo que você fica nesse jogo é aquele que você fica lendo sobre opiniões políticas vergonhosas dos seus coleguinhas no Facebook e o casamento da Clarina no Twitter. Dizem que o povo parou de usar o Grindr pra ficar jogando isso, porque tudo na vida é saber agendar suas prioridades. Eu vejo bem menos o instagram agora, foi uma glória, mas jamais deixaria de entrar no Tinder por causa da Kim, afinal ela torce muito pela minha felicidade.

- Em nenhum momento sua celeb come no jogo, só bebe ás vezes e come uma refeição cara pra impressionar um date. Na vida real é assim também, pra ser famosa, esqueça a comida.

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Minha carreira de model bombando e a Kim sempre muito gente boa e amiga tru!

- Escândalos, sex tapes e casamentos bafos com boys errados não existem no jogo e realmente é dificílimo ser uma celebridade A se envolvendo com trasheiras, mas seria apenas maravilhoso poder gravar uma sex tape virtual da sua celebzinha pra ganhar pontos, enquanto está no metrô sentada do lado de uma velhinha.

- Tem uma mina cretina e também famosa chamada Willow Pape que fica tentando te tombar no jogo, ela fala mal de você, é a puxadora de tapete, na vida real tem várias, elas fazem exigência pra que não coloquem seu nome no job, fazem birra pra te demitirem se for necessário, te chamam de querida e postam coisas fofas nas redes sociais e falam mal de você pro cabelereiro e pro stylist. Cuidado!

- Depois que você fica famosa no jogo, nunca mais pode ser normal, o Simon seu empresário não para de ligar, você não pode mais curtir, não dá pra namorar um menino que não seja celebridade nem andar com pessoas normais, porque isso não agregaria likes. Assim como na vida real, pode reparar, quanto mais famosa a pessoa fica, com menos pessoas normais ela anda e mais na pizzada do Faustão ela vai.

- Essa vida de famosa é um saco, porque no meu caso por exemplo, tenho três casas, uma em Hollywood, uma em Miami e uma no México (estou orçando de comprar uma em NY) mas mal acabei de decorar ou fiquei sequer um segundo nelas, sempre tenho que fazer uma aparição bombástica ou posar de biquíni. Mas não vou desistir do jogo, ainda faltam algumas fases pra completar, só porque preciso chegar nelas pra ver as próximas roupinhas que posso comprar para todos pagarem pau pra mim (virtualmente, vamos deixar claro).

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Mais um dia no estúdio, mais uma capa pra PopGlam, essa sou euzinha, famosérrima!

A verdade das verdades é: não tem preço lutar pra ser uma celebridade deitada na sua cama, de pijama, sem ter que fazer isso na vida real. Trocar de roupinha, achar o máximo um babyliss virtual ou já jogar logo um coque e um maxibrinco, mas enquanto isso ficar com pomada na cara e cabelo preso no grampo!

Meu tipo de programa favorito, Kim, super obrigada por tudo amiga!

Quanto exatamente você gastou pra fazer essa viagem?

“Viajar não precisa ser tão caro quanto parece e dá pra eu juntar meu dinheiro e sair por aí. Mas você pode me dizer exatamente quanto gastou em tudo pra eu saber quanto vou ter que economizar?”

Olha, infelizmente eu não posso. E nem seria justo fazer isso, porque cada um define o seu barato e o seu caro. Tem amigas minhas que falam “ai fiquei num lugar super baratinho” e quando vou ver, era um hotel 4 estrelas que eu jamais olharia (barato pra elas) e tem gente que não gasta nem um centavo com nada, perto dessas eu me sinto rica, porque também não me poupo de tudo.

Então dizer: gastei exatamente tanto, queridinha! Pode acabar desencorajando muita gente. Mais fácil falar do que TODO MUNDO pode fazer barato, de como diminuir os gastos da sua viagem pela metade ou mais da metade e por aí você calcula sua viagem.

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Uma foto de Paris pra animar!

Economizando em viagem, na escala de riqueza Kardashian:

- Hotel 1 de economia, nível Kim Kardashian na escala it pobrística

É uma delícia ficar em hotel, ai como é bom! Aquela cama enorme só pra você, sendo arrumada todos os dias, lençóis limpinhos trocados sempre, banheiro com todos seus “produtinhos” (falei igual it rica agora, diz ae) espalhados. Uma TV com os canais que você gosta e os canais locais, serviço de quarto pra quando estiver com ressaca ou preguiça, aquele café da manhã delicioso, ser mimada, meudeus, sinceramente enquanto escrevi esse parágrafo me escorreu uma lagriminha.

É maravilhoso hotel mesmo, mas a notícia é a seguinte: se você quiser viajar barato, mas barato mesmo, esqueça que ele existe. Guarde pra sua lua de mel, pra quando sua mãe te pagar uma viagem ou pras MARAVILHOSAS viagens a trabalho que colocam a gente em hotel de rica (amém SENHOR, saudades de trabalhar na TV).

Quando hotel vale a pena: viagens em família, viagens em casal, quando você tem muitas milhas e pode pegar um quase de graça, quando viaja com uma amiga rica que tem pavor de hostel e é uma viagem de compras, viagens de SUPER INVERNO pra ficar num edredon maravilhoso, resorts em praias particulares maravilhosas, daquelas que se ficar de fora tem que frequentar o pedacinho loser da prainha pública.

Ah, mas não dá pra ficar em hotel mesmo? Olha, até dá! No Booking sempre aparecem promoções, algumas vezes sai até o mesmo preço de hostel, porque eles colocam promos relâmpago de última hora, então dependendo da sua sorte, pode rolar e pagar de Kim Kardashian pras suas amigas postando sua jacuzzi (brincadeira! APENAS PAREM DE POSTAR FOTO DE QUARTO DE HOTEL SUAS CAFONAS, GRATA).

- Airbnb 2 de economia, nível Kim Kardashian fase sextape na escala de fama e dinheiro

Houve uma época muito distante, onde alugar um quarto no Airbnb era barato. Eu consegui viajar nessa época e aproveitar, mas agora tô quase virando uma pessoa contra esse site de preços absurdos exploradores. De qualquer forma, em Barcelona aluguei um quarto na casa de um menino. Não foi tão barato quanto hostel, mas não foi tão caro quanto hotel.

Por exemplo (to inventando os valores mais ou menos, porque não vou entrar no Google pra ver senão vou dispersar desse texto), num hostel com notas boas no verão em Barcelona, num bairro legal tipo o Born, seria entre 25 e 35 euros a diária, um airbnb entre 35 e 60 e um hotel deve começar por 90, entendeu?

A parte boa é que você tem um quarto só pra você, ou pra você e sua amiga. Super privacidade, que realmente é uma coisa muito maravilhosa de ter, pode fazer sua bagunça, chegar bêbada às 4 da manhã e acender a luz, coisas que em hostel não dá. Divide o banheiro com o dono da casa e pode até ter outros hóspedes que estejam em outro quarto, mas geralmente é muito limpo e uma pessoa nem vê a outra (sempre que alugar QUALQUER coisa no Airbnb leia muito os comentários sobre limpeza, segurança, simpatia do dono).

Também pode usar a cozinha da casa, a geladeira, cozinhar suas refeições, algo que já vou falar e é muito importante pra quem quer economizar.

A parte ruim é que alugando um quarto, não é tipo sua casa naqueles dias, não pode receber visitas de amigos, paqueras, gatinhos do Tinder. Não pode dizer no bate-papo do UOL que tem local, infelizmente.

* Alugando uma casa inteira no Airbnb você pode chamar quem quiser, não divide banheiro com outras pessoas e brinca de casinha na cidade onde estiver. Mas o preço já chega perto do nível Kim Kardashian luxuosa de hotel se está sozinha, se estiver em turma pode ser muuuuito negócio!

- Hostel 3 de economia, nível pessoa humildona que fica do lado de fora do Castelo tentando tirar uma foto da Kim Kardashian no casamento dela com o Kanye porque é fanzoca

* Estamos falando aqui de quarto compartilhado, deixando bem claro*

Se você quer gastar MUITO POUCO mesmo em hospedagem, não tem outra alternativa (até tem, o couchsurfing que te recebe de graça em casa, mas eu ainda não testei e pelo que percebi, é mais pra ficar no máximo 3,4 dias na casa da pessoa).

“Ahhh, mas você pode falar quanto exatamente custa hostel?”. Fia, não posso, porque cada lugar tem uma base de preço, lymda.

Primeiro, uso sempre o HostelWorld pra encontrar um bom hostel, que para mim tem que ter 1- BOA LOCALIZAÇÃO, LIMPEZA, SEGURANÇA (de preferência acima de 85% de nota) e 2- NÃO SER UM PARTY HOSTEL (aprendi com a vida e sou velha, não quero gente gritando e xóvens de 18 anos correndo de cueca porque tomaram droguinha no banheiro das meninas *quando essa gente nasceu eu não era mais BV*)

No México por exemplo, os hostels não chegavam a 10 dólares a diária, já paguei em Londres 20 libras de diária ou até menos, na Espanha uma média entre 25 e 30 euros, em Paris vi os preços e achei todos caríssimos, não lembro agora. Pesquisando minhas próximas viagens já achei hostels na base do 60 reais a diária e outros que eu poderia comprar o hostel inteiro de tão baratos (depende do país que você vai).

Quer ver quanto vai custar esse seu sonho de ir pra Paris, de ir pro Peru, de ir pra Tailândia, minha amiga dona de casa? Comece pesquisando a sua passagem e quanto custa a diária de um bom hostel que te seduz.

Quer ficar mais barato ainda em hostel? Procure com menos porcentagem de localização, segurança e limpeza (nossa que corajosa, mas a senhora é destruidora mesmo!). Quarto misto também sempre é mais barato. Mas eu não fico porque quarto de menina é mais limpo (alguém notou que meu TOC de limpeza é maior do que o da Monica do Friends?).

No hostel também tem café da manhã geralmente. Coisa que no Airbnb você não terá. Já peguei cafés da manhã nojentos, já peguei maravilhosos, nos comentáros que as pessoas deixam depois de se hospedar você sente o que vai enfrentar e pode saber mais sobre o local. LEIA TUDO SEMPRE ANTES. TUDO DE TUDO. Para não ter surpresas.

“Aiii, tá bom, já calculei tudo da passagem e hostel, você pode me dizer agora exatamente quanto vou gastar com comida, bebida, transporte, museu? Muito obrigada”

* atenção, nesse momento do texto eu esqueci a escala Kardashian e comecei a escrever de um jeito nada a ver com o começo*

Comida

Se você quiser economizar MESMO, você vai acordar e tomar um café da manhã violento no se hostel. Sem contar as calorias e esquecendo que glúten e barriga negativa existem na sua vida. Que é pra não sair na rua com fome, querendo tomar cada sorvete que vê.

Agora se quiser economizar MESMO, MESMO, MESMO, você tem que preparar seu almoço e jantar na cozinha do hostel. A melhor forma de economizar viajando é ir ao supermercado mesmo, comprar as coisas e preparar, não tem jeito.

Mas eu entendo, é difícil voltar toda hora pra cozinhar, porque você quer aproveitar o dia na cidade e ir parando pra comer. Quando é assim, eu me coloco um limite do quanto posso gastar por dia. “Ah, acho que 15 euros é o que posso gastar por dia em comida. Ou 10, ou 20, ou 30″. Como eu disse, depende do que é barato pra você, pro tanto de dinheiro que você juntou.

E aí preste atenção por onde passa, veja os cardápios, use o Foursquare pra achar restaurantes legais e baratos perto. Lembre que existe gorjeta, 10%, que a Coca light ás vezes custa caro, lembre de tudo. E defina quanto pode gastar.

Jantar fora custa caro perto da nossa casa e em qualquer lugar. Claro que depende muito do lugar, aqui em Berlin pago uma conta de comida e muitas bebidas por 15 euros e em São Paulo ela custaria pelo menos 120 reais, mas você que tem que saber se pode aceitar o convite dos amigos pra ir naquele restaurante mais bonitinho.

Transporte
Provavelmente quando viajar você vai acabar fazendo muitas coisas a pé, pegando metrô e ônibus, as formas mais baratas de transporte, claro. Mas fique sempre ligado nos bilhetes de uma semana, ou X dias, que podem sair mais barato do que comprar um ticket cada vez que for pegar o metrô.

Táxi depende muito da cidade onde estiver. Já fui pra lugares de táxi tão barato que só andava de ricona (contei aqui de Bogotá), mas geralmente ele é caro. Mesmo assim eu pego quando tá muito tarde da noite e estou com medo de voltar pra casa sozinha. Em qualquer lugar do mundo, é um procedimento meu e ganho meu dinheiro pra gastar com essa segurança, então no meu orçamento sempre tem o “táxi bêbada 5 da manhã”, se for importante pra você coloque também.

Mas a melhor economia de transporte é na hora do aeroporto. Ir de metrô, trem, ou pegar o ônibus que vai pro aeroporto e em toda cidade sai de algum ponto central, sempre compensa muito. Já fiquei em hostel que tem vanzinha que você marca e te leva super barato, alguns também tem um busão coletivo que passa em vários buscando os hóspedes. Sempre é MUITO mais barato do que pegar o táxi no aeroporto. Muitas vezes eu faço essa economia maravilhosa, mas dependendo da cidade e da minha mala, também invisto na ida de táxi bem ostentação da lymda. Cidades que não sei falar a língua direito e o povo não fala inglês, chegar tarde da noite, lugares com fama de perigosos, aí vale a pena gastar nesse táxi e ser Kim Kardashian mesmo.

Bebida e balada

Se você não pode gastar, saiba que vai viajar, vai ver os pontos turísticos, vai andar muito, mas não vai ferver tanto assim pelas buátis. Porque você já sabe, balada é uma coisa sempre cara no orçamento. Mesmo que seja um país onde nosso dinheiro vale bastante, ou um país onde tudo é baratinho. Sempre vai custar alguma coisa pra entrar (15 euros hoje, 30 dolares amanhã e por aí vai), a cerveja vai custar 70 centavos no supermercado e 3 euros no bar, 5 euros na balada. E aí você vai gastando seu dinheiro sem perceber, claro, porque é tão gostoso ficar ali bebendo e aproveitando.

Eu, do fundo do coração, acho muito triste viajar sem poder beber num bar legal e sair pra dançar, porque viver a noite de um lugar é tão importante quanto viver o dia. Mas se é seu sonho ir pra NY, mas tá apertada, vai ná fé, pula os drinks de rhyca, faz seu turismo honesto e um dia você volta pra gastar seus dólares na noite. De verdade.

E não se esqueça que todo lugar tem um esquema “buteco” mais barato que dá pra achar e se estiver calor, vai ter parques ou praia pra você comprar sua bebida no supermercado. Então nem tudo está perdido! #DicaZecaPagodinho

Museu e afins

Só um lembrete, depois de calcular passagem, hostel, quanto pode gastar por dia com comida, quanto pretende gastar em cachaça, quanto pode gastar em transporte total, NÃO ESQUEÇA de pesquisar quanto custa a entrada de museus, lugares turísticos, coisas que quer visitar. A gente sempre cai nessa de chegar na cidade e pagar 18 num museu aqui, 10 pra ver a cidade ali de cima, e quando vê está sem dinheiro e não sabe onde gastou.

No mochileiros.com (eu amo, eu entro, pesquiso muito) muitas pessoas contam o itinerário exato que fizeram pra cada lugar que você buscar, tiram dúvidas, algumas contam exatamente quanto gastaram em tudo até, e aí dá pra descobrir preço de entrar em cada coisa. Mas pelo site também dá pra achar, a internet tá aí pra ser usada!

Roupa e make, afinal você também é filha de Deus

Ah, nem sei por onde começar, aqui a coisa complica! Na primeira vez que vim pra Europa eu era uma jovem sonhadora da moda, fiz a clássica de vir com a mala vazia e enfiar um monte de roupa e tranqueira nova dentro, além de comprar uma segunda mala enorme e encher inteira. Porque dependendo de onde você vai (comparando com o preço de roupa e sapato no Brasil, praticamente qualquer lugar) você acha roupa linda baratinha, sapato lindo baratinho, acessórios incríveis, makes com o preço real, sem os milhões de impostos do Brasil. aiaiai, é difícil.

Mas nessas vezes que viajei e comprei muitas coisas, eu tinha juntado meu dinheiro exatamente pra isso, ser feliz na H&M, na Topshop, em lojinhas desconhecidas de novos estilistas. E é super válido juntar seu dinheiro e se dar esse presente, comprar cada centavo do que trabalhou pra voltar pra casa feliz cheia de botinha.

Agora é engraçado, porque estou há 40 dias longe de casa, tem uma H&M no quarteirão do lado e não comprei NADA lá. Nem uma calcinha pra contar a história. Porque eu sei que não posso e nem quero gastar com roupa agora, no meu orçamento nem cabe essa ideia se quiser viajar por mais tempo. E sinceramente? Juro, de verdade, nem sinto vontade de olhar as lojas.

Pra não falar que não comprei nada, quando cheguei na Espanha fui na Zara e comprei duas camisetas que eu adoro, tipo Mônica, tenho várias sempre. Na H&M comprei dois shortinhos baratinhos porque não trouxe e tava 40 graus, mais duas camisetas de 5 euros cada na promo. E infelizmente um vestido lindo de 13 euros na Forever que rasgou no mesmo dia.

Nenhum sapato, nenhum acessório, nenhuma maquiagem. Nem sei onde tem Sephora aqui em Berlin, aliás.

E se você quer muito conhecer um lugar e não tá com dinheiro pra atualizar o guarda-roupa, chore, faça força, pense em imagens de campos verdes ensolarados, mas não gaste o dinheiro que não tem em um monte de roupa. Mesmo porque a emoção do momento de comprar um caminhão de vestidinho por 150 euros é demais, mas você precisa de NO MÁXIMO um pra ficar bonitinha no parque domingo.

* Outra coisa, cair na do cartão de crédito nessa hora é roubada tripla. Você vê que seu dinheiro da viagem tá contado, mas você quer muito todas aquelas coisas que parecem tão baratas, você fala “foda-se vou comprar, eu mereço”, passa seu cartão, parece que arrasou. Quando chega em casa a fatura vem alta (afinal duas compras de 150 euros que você se acha a rainha, custam mil reais no seu cartão – quem converte não se diverte, mas desculpa te avisar).

Fármacia, muito cuidado!

Outro lugar pra ter MUITO cuidado dependendo do lugar onde for: farmacinhas! Elas podem ser muito deliciosas, tipo aquelas de NY e Londres, cheias de coisas lindas, fofinhas, de maquiagem, cabelo, pele, cílios, unha, secadorzinho mini, demaquilante hypado, produtos que você não sabem pra que serve mas viu num blog de beleza, aaaahhh socorro! Já gastou 100 dólares nessa entrada, sai daí AGORA!

Lembrando o mantra toda hora: 80% dessas tralhas que você compra na emoção de viagem você esquece e nunca usa. EU JUROOOOO

Presentes, muito muito cuidado

Querida, a verdade é uma só. Quer viajar gastando pouco? Não inventa de levar presente. Já avisa todo mundo no Facebook, já deixa bem claro. Um trocinho de 3 euros aqui, uma lembrancinha de 5 euros ali, um globinho de neve de 7 euros ali. Quando viu já gastou horrores, a mala aumentou um kg e meio (tenho pavooor de mala pesada) e quando entregar seu presente as pessoas vão agradecer, enfiar numa estante e não vão querer saber da sua viagem porque vão estar olhando pra timeline delas do instagram. Fim.

E digo mais!

Seja realista sempre

Mesmo eu, que escrevi tudo isso, que pratico tudo isso, tenho meus momentos CREIZI de gastar com alguma coisa muito fora do orçamento. No México esse ano fiquei maluca e comprei todo o artesanato mundial, comprei presentes pra todos também. Em São Francisco comprei materiais de desenho e pintura e acessórios pra computador e câmera no cartão de crédito em um momento de FODA-SE, obviamente não estou usando nenhum deles, mas meu cartão veio absurdo e até chorei no dia.

Se você decidiu “posso gastar 5 mil reais em tudo dessa viagem” ou 2, ou 3, ou 10. Saiba que sempre pode acontecer de você acabar gastando a mais comendo fora, a balada vai estar muito legal, pode não conseguir não comprar tudo. E tá tudo bem, na próxima vez você se segura mais. Só que minha dica então é ter um dinheiro reserva pro caso de pagar um cartão de volta de viagem, que é o maior vilão de tudo. Porque você volta zerada, mas 15 dias depois chega aquela fatura milionária e ter que dividir aquilo é pior ainda.

Escolha bem o lugar

E por último, uma forma bem fácil de viajar gastando pouco e saber quanto vai gastar. Faça uma lista dos lugares que quer ir e pesquise quais tem a passagem mais barata, estadia mais barata e seu dinheiro vale mais. Se tá com pouco dinheiro, não precisa começar por Londres onde a gente é mendigo, se tá médio mas queria muuuuuito ir pra Europa, onde o euro custa absurdos pra gente, escolha países onde a hospedagem e a vida é mais barata (tem mil listas disso na internet, países e cidades que você gasta menos aqui). Quer muito ir pra Asia, veja os países baratos pra viajar também, e invista na passagem, mas pague pouco lá. Ou viaje pra países onde você é riquíssima, como a Bolívia e compre terras.

E em breve volto com outro texto enorme, que começa com uma linguagem, acaba com outra e cansei no meio de falar de Kardashian, ai meudeus, que confusa!

Tá viajando é porque é rica?

Irmã, se liga na bobagem que você acabou de falar. Não precisa ser rica pra viajar.

Eu te juro, olha só: escrevo esse texto no aeroporto, feliz que vou pra mais uma cidade que amo, enquanto isso minhas amigas devem estar na Marginal Pinheiros, duas horas no carro, chegando em casa onze da noite, passando o sábado no cinema do shopping, contando os dias pro feriado. O que isso tem a ver? A maioria delas tem MUITO mais dinheiro do que eu tenho, algumas são realmente ricas, cabelo sedoso, bolsa de marca, tem casamentos pra ir em Trancoso (e eu não sou rica, só fui juntando dinheiro enquanto trabalhava, meu cabelo tá podrinho, minha bolsa comprei no México, nunca pisei em Trancoso).

Deixa eu explicar melhor, não tô falando de tirar férias, todo mundo tem as suas, ou deveria ter (se você trabalha sem direito a férias é melhor rever seu trabalho e seus direitos). Nas férias você pega seu dinheirinho e vai pra praia, NY em parcelas, pro sítio, fica em casa atualizando os seriados que ama.

Tô falando de viajar, viajar é diferente.

Quando você decide “eu quero VIAJAR, quero ir pra tal lugar, quero ficar um tempo em tal outro lugar, ver tal coisa, fazer tal outra coisa”, você arruma sua grana.

Trabalha mais, economiza, para de tingir o cabelo no salão e compra a caixinha de tinta pra fazer em casa, nunca mais compra um maxicolar de 300 reais, dá seu jeito.

E na boa, nao tô falando “ai como é fácil economizar dinheiro e juntar e viajar, lymdas!”, demora muuuuito tempo pra isso, decidir fazer uma viagem longa é um plano de mais de ano, o meu começou em 2012.

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Eu sou rica em pôr do sol lindão!

Quando você decide viajar e não tirar férias rapidinho, você aprende a ficar em hostel baratinho nem tão confortável como sua cama, não janta nunca mais em it restaurante das cidades que visita, não compra um monte de roupa na H&M (passa a achar 10 euros absurdamente caro e tem pavor de mala pesada). Rua que tem Chanel e Miu Miu, você nunca mais sabe onde fica.

E na hora que descobre que o dinheiro que juntou pode render dias, meses em lugares maravilhosos que te fazem feliz, você faz ele render mais ainda, vive com muito menos, jamais lembra de querer a maquiagem da temporada, nem passa pela sua cabeça olhar o duty free do aeroporto.

Viajar tem muito mais a ver com coragem do que com dinheiro. Entenda isso.

Tenho menos dinheiro que minhas amigas, mas saí de um emprego até que legal, disse não pra outros trabalhos que pareciam legaizinhos, porque já tinha algo na minha agenda, tinha decidido viajar, dar um tempo, ver minha vida de longe e pensar nela um pouco (Retorno de Saturno bombando). Se tivesse ficado em casa, continuaria trabalhando, ganharia mais dinheiro, talvez aí estivesse quase rica, mas nunca ia saber como era largar tudo e viver com o que eu tinha por um tempo, dá pra entender?

Claro que dá medo, muito medo, medo o tempo todo! De voltar e nunca mais arrumar um trabalho, de gastar todo o dinheiro que juntou e nunca mais conseguir comprar uma passagem pra um lugar desconhecido legal ou pagar um aluguel, de perder alguma coisa muito interessante que vai acontecer perto de casa enquanto você estiver fora.

Mas sinceramente, acho que no fim tudo dá certo, a vida simplesmente continua, nunca ouvi falar de ninguém que arruinou sua vida porque deu um tempo pra sair por aí viajando.

Na verdade sempre é o contrário, você volta sabendo mais, conhecendo mais gente, falando outras línguas com fluência, ganha todo tipo de cultura, desde trash até política sobre cada lugar que passa.

Mas na boa, sentir medo? É melhor sentir esse medão e frio na barriga de vez em quando de ” meudeus, e quando eu voltar, hein?”, do que ficar apavorada em casa vendo TV e imaginando como gostaria de largar tudo e fazer a louca pelo mundão, mas não tem coragem de sair do emprego, namoro, cidade, vida mais ou menos que tá te entediando.

Viajar, que não é férias, é cair nesse mundo e ver “qualé mermão”, é um negócio que jamais teria a ver com ser it rica, é um tempo pra viver a vida, aproveitar ao máximo, aprender um monte de coisa e depois ver o que faz, se volta do mesmo ponto, se recomeça, se não volta nunca mais e vende pulseirinha na Guatemala feliz pra sempre, é tipo ver aquelas mensagens de autoajuda do pinterest e pela primeira vez não se sentir mal porque não tá vivendo hoje.

E repare bem, essa é a verdadeira riqueza, e juro, ela custa muito mais barato do que você imagina.

Barcelona pela terceira vez – e como as coisas mudam

Algumas pessoas morrem de pavor de viajar pros mesmos lugares, porque querem fazer o War no planeta. É realmente muito gostoso dizer que conhece 20 países, mesmo que tenha ficado 4 dias em cada um deles, o que não é muito meu rolê. Eu gosto de chegar e ficar na cidade sem pressa, dormir até tarde se estiver de ressaca, ter dias livres, ir onde as pessoas que moram nela vão, comer o que comem (até enjoar e sentir saudades da comida que minha mãe faz). Bem assim.

Então nunca me importei em voltar pra um lugar que amo, com a urgência de “Meu Deus, preciso conhecer o lugar tal que ainda não fui AGORA”. Não, não, eu gosto daqui, me deixa voltar aqui o quanto quiser.

E tem toda a parte de como a gente muda. Estive em Barcelona três vezes, com diferença de anos entre elas, nunca fui a mesma, nunca senti as mesmas coisas, nunca tive as mesmas experiências.

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Mano Picasso morou aqui

 

Agora por exemplo, voltei e descobri a resposta pra uma pergunta que sempre me fiz “se amo tanto esse lugar, porque não vou morar nele?”. E entendi que eu amo sim, me sinto feliz sim, quero voltar sempre sim, mas não quero morar. Ainda não é essa minha cidade (falando com voz de Alvaro Garnero). É São Paulo? Talvez seja e eu perceba daqui a pouco, talvez eu encontre outra, mas talvez eu busque pra sempre e enjoe pra sempre, seja infeliz pra sempre, reclamando pra sempre (apenas um pouco de drama e emoção na conversa).

Fiquei dois anos sem ver minha cidade do coração. Juro que praticamente todos os dias pensei nela, em como queria estar nela, morar nela, viver aqui, completamente obsessiva. Aí quando decidi fazer uma série de viagens no final do ano passado, e praticamente larguei tudo pelo meu tour, comprei minha tão sonhada passagem pra 2/6, de volta pra minha casa, pra minha terra do Gugu.

Mas sei lá, eu mudei (realmente, muito, mudei muito mesmo) e algumas coisas que antes eu achava o máximo, tipo festa todo dia, vida loka sem limites e meninos de 22 anos, eu acho um porre agora. Então voltei pra BCN toda véia, sem paciência pra galera que viaja em turminha pra tomar todas e causar o tempo todo nas baladas, meio Porto Seguro dos europeus no verão, que ainda nem começou mas é como se já fosse, e tudo já começa a lotar loucamente.

Mas Barcelona é só isso? Claro que não! É uma das cidades mais lindas, maravilhosas, que dá vontade de esmagar que já fui. E apesar de ser turística – e muuuuuito, principalmente no verão – não é das mais caras pra curtir (já que em Londres e Paris por exemplo sou mendiga), você senta num restaurante fofinho cheio de gente bonita, bebe, bebe, bebe, come algo, bebe, bebe e dá uns 12 euros no final da noite. Maravilhoso.

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Filas eternas de um turismo com lembranças

 

Quem não conhece tem que ir logo, ver todas as coisas bonitas do Gaudí com filas enormes pra entrar, se perder no Barrio Gótico e no Raval, cair na roubada de comer num restaurante perto das Ramblas ou do Passeig de Gràcia, ir na praia lotada (caso goste de praia, eu sou gótica) ou naqueles restaurantes meio playba na beira da praia tomar drinks caríssimos, comer tapas até o colesterol explodir, ficar feliz que está na Espanha e comprar Zara e Mango e Bershka toda hora. E ficar feliz que vai jantar às onze da noite e beber todos os dias, bem no clima da cidade. Claro que menos domingo, porque quase tudo fecha e não sobra nem uma Zara pra contar a história.

Mas quem conhece deve voltar também, pra curtir a cidade sem as obrigações turísticas, e aí realmente é um sonho, muito delícia.

Fiquei duas semanas (com três dias rapidinho em Paris visitando os amigos e comendo crepes de Nutella) e me dediquei ao que BCN traz de melhor mesmo, diversão, curtição e conhecer pessoas malucas em bares, mas com muitas horas de sono e sem obrigação de riscar nada no meu caderninho turístico.

Como a cidade é sempre mais ou menos a mesma, dessa vez algumas coisas me chamaram mais a atenção.

- Como sou velha perto dos turistinhas loirinhos e das menininhas de shortinhos com a metade da bunda pra fora (saudades da bunda e perna que eu tinha e reclamava nos meus 18 anos…).

- Como a Sala Apolo continua demais de segunda, mas realmente só dá criança (com 28 foi a minha despedida desse rolê zoeira de segunda a noite).

- Como eu nunca tinha aproveitado o Born, nunca ia pra lá e dessa vez fiquei lá, ai que bairro fofo dos sonhos cheio de bares legais pra ir de um em um!

- Como sempre tem um novo bairro legal que quando você fala que gosta de um esse já era e agora é moderno gostar de outro. Tipo o Born já foi, agora é sei lá qual!

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Born seu fofinho

 

- Como tem muito mais restaurantes japas lá agora, mas continua sendo caro e triste comer japa pra nós que estamos acostumados a comer rodízios magníficos no almoço do meio da semana.

- Como é legal o Piknik Eletronik que acontece aos domingos nos meses de calor!!!

- Como é delicioso que agora tem várias hamburguerias gostosas, mais precisamente o Kiosko, que tem hamburguesas do tamanho da nossa cara gorditas, uma mega fila e só pessoas belíssimas alimentando a celulite que elas não tem.

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Pqpppppp delíciaaaa

- Como o Raval continua legal e com brechós maravilhosinhos! E perto do Macba tem vários restaurantes que na minha última vez não existiam e amei todos.

- Como as Ramblas são mico e a Boqueria tem sucos deliciosos e frutinhas, mas infelizmente não dá nem pra andar direito.

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Sucos na Boqueria, vai na fé

- Como é gostoso comer aquele monte de tapas, mas elas nos matam aos poucos com tanta fritura, óleo, carboidratos aiaiai (não estou pagando de fitness não, é que minha saúde tá zoada no quesito colesterol e tenho que parar de viver a base de doritos nessa vida)

- Como é maravilhoso voltar pra casa de madrugada a pé sozinha, sussa porque todo mundo tá fazendo o mesmo!

-  Como é demais achar que tá fazendo um negocião ao comprar cerveja quente de um paqui de madrugada.

- Como é maravilhoso ver filmes no cinema dublados em espanhol!

- Como temos que tomar cuidado com a bolsa e os pertences sempre, porque onde tem turistas e multidões tem os ziquinhas furta cel e passaporte.

- Como o Manchester bar só toca os róquezinhos que a gente curte, mas tá dando uma galerinha não tão guapa (infelizmente não fui no Magic dessa vez).

- Como é triste que agora tem que pagar pra entrar na parte mais legal do Parc Güell, onde antes dava pra dormir no sol no meio da tarde de boa.

- Como é bom ir de bar em bar até tudo fechar, como é ruim não ter um lugar de larica que represente na madrugada.

- Como é mara que quase todos os lugares tem wifi aberto e fácil de usar!

- E como é fofo que eles falam ui fi e não uai fai <3

- Como as pessoas bonitas não usam Tinder (ops, esse não tem muito a ver com a cidade, desculpem).

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Foto de praia porque as pessoas adoram praia

Acabei de chegar em Madrid e COF COF COF *estou fazendo um post* (#blogueira) então não dá pra colocar tantas imagens, afinal hoje tem jogo da Espanha (já já) e quero ir pro bar poaaarran!

Mas quem quiser acompanhar minha trip, no instagram @janarosa posto tudo que possível com localização pra inspirar e entrar nas anotações de quem tá afim de vir. E venham, venham merrrmo. Vem ki tem! Depois conto de Madrid e de sabe onde irei depois daqui.

México – de Puebla até Tulum (um post rapidão, uma viagem nem tanto)

Infelizmente sou uma péssima “blogayra” de viagem. Gente, eu demoro dois meses pra postar sobre um lugar que visitei, não tem memória que aguente. Mas assim, é porque quando estou na estrada anoto tudo em cadernos, eu sou da escrita cadernística. Chego em casa e perco o caderno, não entendo a letra, toda uma novela.

Então todas as coisas maravilhosas que eu tinha pra contar sobre a segunda e maior parte da minha trip pelo México, de Puebla até Tulum, vão ter que ficar meio resumidas. Apenas uma forma de ajuda aos bróders que pensam em fazer esse roteiro também.

Recapitulando, depois de aventuras na Cidade do México, comprei minha passagem de ônibus ADO para Puebla e lá fui eu, percorrer seis estados merricanos.

PUEBLA Captura de Tela 2014-05-28 às 19.45.12 Peguei meu primeiro busão mexicano, uma super alegria com ar-condicionado bombante e televisão que passa algo tipo novela mexicana mesmo (em algumas rodoviárias também passava na sala de espera, eu ficava louca) ou filmes mexicanos artsy que eu achava meio pornochanchada. Cheguei em Puebla em um dia e fui embora no outro. Você resolve a cidade em um dia já que ela é minúscula, e apesar de eu ter visto um cara punk muito estiloso e ter tentado seguir ele pra ver se achava um lugar dos undergrounds pra fazer altos amigos, não vi agito algum na cidade. Dormi belíssima.

Cidadezinha fofinha, com a pracinha central, a igreja principal e o clima ótimo, me trouxe grandes surpresas. Primeiro, estavam gravando uma novela mexicana em uma igreja, uma cena de casamento, e fiquei horas esperando pra ver os atores (eres tu, Carlos Daniel?) mas eles jamais apareceram lá fora. Segundo, o artesanato de Puebla, com aquelas cerâmicas lindas é de se CORTARRRRR, como assim não levarei tudo pra casa? Terceiro, o prato típico, o tal do mole poblano que é um molho a base de chocolate, uma amiga minha provou e amou, mas eu quase vomitei provando, escorreram lagriminhas, o chef veio falar comigo (escolhi um restaurante chique pra provar, já que era bizarro, que fosse na maior nota do foursquare). Gente, que climão, os mexicanos ficaram ofendidos que eu disse que jamais comeria aquilo e queria ir embora apenas, eu nunca mais fui feliz outra vez. Ah, o drama!

É uma delícia dar um rolê na cidadezinha, sentar em um bar de frente pro Zócalo, praça principal e tomar bons drinks. Mas péra, essa é minha dica em qualquer cidade, enfim…

Fiquei em um hostel bem simplão, na primeira olhada diria “podrinho”, mas o banheiro era tão limpíssimo que queria abraçar a merricana da recepção. Nome: Hostel Casona Poblana. Vai na fé!

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Foi lá em Puebla que fiz a louca e me mandei pratos, cobertor, caveiras, boneco, todo tipo de artesanato que já tinha acumulado em DF e lá mesmo, mandei 5 kg pra casa, chegou um mês depois, só uma coisinha quebrada. Tranquilinho, acordei no outro dia e segui pra Oaxaca, numa estrada MUITO EMOCIONANTE, montanhosa, absurda, tensão no arrrr. Eu curto, bem lá no fundo.

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OAXACA

Oaxaca já é mais minha praia, achei a cidade fofa, também cheia de casinhas, igreja, pracinha, a vibe de todas as cidades pequenas merricanas (e brasileiras também, e de muitos outros países também, mas foco, estou falando do México agora!).

Foi lá que fiz uma amiga maravilhosa, que me falou coisas que realmente bateram na minha cabeça de uma forma importante, esse é o lado bom de viajar sozinha e ser obrigada a trocar experiência o tempo todo. Fiquei dois dias, conheci restaurantes fofos, que obviamente não lembro o nome, tomei bastante cerveja e passei meu whatsapp para desconhecidos dizendo que ia ensinar português para todos em cursos via mensagem quando voltasse pro Brasil (chateadíssima, ninguém nunca me escreveu pra cobrar). Ouvi músicas mara merricanitas e passei até em um bar meio raver.

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Acho que foi ali que conheci o melhor hostel da viagem, lindo, limpo, com belíssimossissimossissimos hospedados, me senti num casting da Reserva. Tinha seu lado ruim, água quente só em alguns horários, mas faz tanto calor lá que você toma banho gelado muitas vezes. Chama Casa Angel Youth Hostel, é vibe hippie na veia, lave sua louça mermão, me arrependi profundamente de estar toda programadinha pro próximo destino e não poder pegar um passeio com a van pra Puerto Escondido, praia dos surfistas que é lá “perto”. Nunca mais viajo com cronograma fechadinho.

Artesanato em Oaxaca? Enlouquecedor!!!! Acho melhor eu parar de falar isso, já tá chato!

Perdi o Jardim Botânico, deve ser lindo, mas só podia ir com visitas guiadas às 17h e estava no bar.

Falando em bar, não beba antes de comprar artesanato, você vai se sentir rica e voltar forçando a barra pra casa, com presente pra 10 famílias.

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E no caminho pra San Cristóbal de las Casas fiz uma grande idiotice, que fique aqui de exemplo pra vocês: tomei um remedião de dormir, já que seriam umas oito horas de viagem acho, e fiquei completamente treze, grógue, retardada. Cheguei em San Cristóbal sem conseguir pensar, falar direito, ainda no efeito do stillnox. Tive muita sorte que achei uma taxista mina que me ajudou com toda a paciência e cheguei num hostel amoroso que deixou eu dormir imediatamente. Horas depois quando acordei, morri de vergonha da falta de noção! Onde eu estava com a cabeça? Sozinha no México, numa estrada de madrugada e dopada de remédio pra dormir? PODRE! Nunca mais nem brinquei.

SAN CRISTÓBAL DE LAS CASAS

Nem vou considerar Tulum no que vou dizer, porque é uma praia paradisíaca então não conta, mas San Cristóbal foi o lugar que mais amei no México. Uma mini cidade colonial com ruazinhas, casinhas, restaurantes delícias (estou querendo dizer que tinha muuuita comida internacional e macarronada, sem pimenta, sem ser tacos!), você também conhece SanCris em uma tarde. Mas fiquei dois dias e me arrependo de não ter ficado mais. Oh vida!

O hostel era maravilhoso, meio fazendinha, ultra confortável e limpo. Cheio de jovens, fogueira a noite porque fazia 13 graus e 11 a noite, congelei aliás. Tinha pessoas bonitas de novo, só os príncipe gatos do hostel. Eles foram muito legais comigo na minha chegada Courtney Love e na minha saída (foi lá que esqueci todas minhas roupas e nunca mais voltei pra buscar) e eu disse: vou espalhar que o Rossco Backpackers Hostel é como minha segunda casa, señor! Dito e feito! Ponto fraquíssimo: só dá pra carregar seu celular na sala, ou seja, viva sem bateria nesse lugar ou fique horas lá sentadinha do lado esperando.

A cidade tem muitos cachorros, eu amo, mas o hostel também tem vários, então quem tem medo ficaria apavorado.

Esqueci de comprar a passagem pro próximo destino quando cheguei locona, achei um lugar no centro que vende passagens ADO, tipo um balcãozinho. Captura de Tela 2014-05-28 às 19.52.47 Captura de Tela 2014-05-28 às 19.52.58 Fui no Cerro de San Cristobal, uma igrejinha lá em cima, depois de uma mega escada, porém ATENÇÃO: subi sem ler dicas na internet. Foi sinistríssimo, deserto, com florestinha de um lado e casinhas meio barraco do outro, algumas pessoas mal encaradas sentadas, ninguém lá em cima, e criancinhas sinistras dizendo “escribe tu nombre para mi escuela?”, pra você fazer isso e depois te pedirem dinheiro. Elas me cercaram e eu apavorada disse “NOOOOOOO”. Em volta também tinha vários cachorros selvagens enormes que morri de medo.

Diferente de Puebla e de Oaxaca, que dá pra andar tranquila a noite, achei San Cristóbal sinistrão depois das 20h.

Um dia fui no passeio para San Juan Chamula, maravilhoso pacote que comprei no hostel. Primeiro faz parada em Zinacatan e mostra meninas no tear fazendo artesanato e na cozinha fazendo tortillas e como elas são criadas pra isso e os meninos para a fazenda, é meio cirquinho essa parte, mas turistas amam, principalmente os que não tão acostumados com nossa vida latina. E então segue pra San Juan Chamula.

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Igreja de San Juan Chamula, a maaaais linda

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Cemitério dos Chamulas

San Juan Chamula é uma cidadezinha de indígenas muito muito foda, como posso explicar? A forma como eles se vestem, o cemitério, a igreja é insana (e turistas não podem tirar foto a pedido deles, mas no google tem fotos belíssimas de tudo). Os rituais maias com coca cola, ovo, vela, misturados com algumas coisas da religião católica, é uma igreja de rituais onde as famílias inclusive matam galinhas ali na sua frente, com santos católicos enormes, mas não tem padre. Entendeu? Uma mistura de tudo.

No cemitério, quando alguém importante morre matam um cachorro preto e enterram junto, achei sinistríssimo.

Fiquei maluca ali, principalmente porque só pode tirar uma foto, de fora da igreja quando te autorizam. Eu queria registrar tudo, queria conversar com aquelas pessoas, eles não são muito fãs de turistas, mas vivem disso, vendendo os artesanatos deles. Mas fiquei meio perturbada porque um menino mexicaninho do meu grupo tava me stalkeando porque eu entrei na van e sorri e disse bom dia, ele achou que íamos casar e me seguiu até dentro da igreja. Fiz uma amiga americana de 60 anos e ela me ajudou a fugir e a me esconder no meio das barraquinhas de artesanato.

Quando acabou San Cristóbal, esqueci todas minhas roupas no hostel como já disse, e segui para Mérida com apenas um vestidinho maia e um moletom de pijama, mas foi ótimo o desapego, afinal eu tinha muito artesanato.

Peguei o ônibus para Tuxla e aí um ônibus com leito para Mérida, porque o direto não teria leito e eram muuuuitas horas de viagem.

MÉRIDA

Viajei 18 horas até Mérida, fiquei quebrada, acabada. Principalmente porque fui sem remédio, já que tinha aprendido a lição. Foi meu único real stress com um mexicano que deu em cima de mim no ônibus, viajando do meu lado de madrugada. Senti muito medo, me encolhi num canto longe dele, até gritei quando ele me xavecou. Que ódio, quantas gerações têm que nascer pra mulher poder se sentir segura e poder viver em paz em todos os lugares?

Li muitas coisas legais sobre Mérida, então escolhi ficar três dias, mas não aguentei, no terceiro nem dormi e fui embora. Achei a cidade meio fantasma, achei chatinha mesmo. É linda, gracinha, mas menos que as outras, até o artesanato não tinha nada demais (aloka do artesanato). E como fica mais perto dos Estados Unidos, foi a primeira vez que realmente vi uma chuva de turistas americanos de papete e câmera pendurada no pescoço.

Conheci um bar mexican hipster chamado La Negrita que amei, drinks, comidinhas, pessoas belíssimas e música mexicana. Valeu a estadia só por ele. Fiquei pensando ali que uma das coisas que mais amei no México foi ver como as pessoas adoram dançar e como os casais dançam, é tão romântico. Mas os homens latinos (menos os brasileiros, né?) rebolam meesssmo e adoram bailar, isso eu amo.

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(única foto que tirei de Mérida com o iphone, não me inspirou mesmo a cidade)

Colaborou também pro desânimo o hostel (Hostel Zócalo) que fiquei, bem rústico, estranho, sem portas nos quartos, com roomates estranhas sem nenhuma empatia nem vontade de conversar. Além disso, paguei um passeio caríssimo 900 pesos, que me levaria pra Chichen Itzá e depois pra Tulum com o passeio todo e transpote, mas eles esqueceram de avisar a companhia de turismo e partiram sem mim. Como já estava a verdadeira merricana depois de tantos dias, dei um discursão em espanhol bem Maria del Bairro, passei um texto nervoso, eles ficaram apavorados, me devolveram meu dinheiro e me levaram de graça até Chichen. Captura de Tela 2014-05-28 às 19.57.40 Captura de Tela 2014-05-28 às 19.57.32 Captura de Tela 2014-05-28 às 19.57.23 No final comprei a entrada pra Chichen na cabininha e a passagem pra Tulum em um balcãozinho da ADO. Também fui ver o Cenote Ik Kil que é lindo e nadei com peixinhos (tô acabando com minha reputação gótica, droga), comprei o ingresso do cenote lá na entrada de Chichen mesmo e paguei uns 300 pesos pro taxista me levar e me buscar duas horas depois. Contando tudo deu quase 900 pesos.

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No fim do dia, com o cabelo todo duro de nadar no laguinho cristalino e toda errada, peguei um busão pra Tulum do lado de fora de Chichen Itzá, demorou algumas horas, cheguei em Tulum bem tarde, acabada. Mas então minha vida mudou, começou uma nova fase, a fase MULHERES RICAS!

TULUM

Depois de muitos dias it pobrinha roots mochileira, minha sorte mudou. A amiga que fiz em Oaxaca me deu uma dica: “fique em um resort em Tulum de frente pro mar, vai por mim, passei três semanas lá”. Eu, toda humildona, tinha bookado um hotel, nem era hostel, mas ele ficava no centrinho. Só que Tulum é uma mini cidade com uma estrada no meio, e tem até uma praia pública, mas fui lá e não achei tão maravilhosa como as de resort. Tá tudo fechado cheio de resort, pra você amiga it rica desfrutar do que a natureza tem pra dar.

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Em Mérida, quando decidi ir antes pra Tulum, cancelei o hotelzinho e achei uma promo de última hora no booking de um resort! 100 dólares o dia! Beleza, até então eu tinha ficado em lugares onde pagava menos de 10 dólares cada diária, mas a gente trabalha e batalha (papo de BBB guerreira) pra pagar nossa continha num resort em Tulum, poxa!

Além de merecer um descanso e um quarto só meu com uma cama enooorme, uma tv que passava clipes dos anos 90 24h, resort tem aquela coisa, você paga caro mas tem todas as refeições e bar aberto o dia INTEIRO, com todos os drinks. Ah, como é bom ser ricaaaaaaa.

Mas resort também é  aquele pesadelo, excursões bregas com pessoas loucas pra registrar tudo em fotos, instrutores de hidroginástica no microfone dizendo “próxima atividade é a gincana de ver quem pega a bolinha vermelha com a boca em menos de cinco segundos, galeraaa”, todas as atividades para unir a galera (omggg) e infelizmente o buffet sempre é bizarro e meio temático, uma noite é cubana, outra é italiana, outra chinesa. E sempre a comida tem gosto de plástico.

Mas e daí? Tem cerveja o dia inteiro! (e o cara do bar me disse que eles chamavam breja de chela e breja bem gelada era chela bien muerta, eu apenas acreditei). Captura de Tela 2014-05-28 às 20.01.14

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Fui ver as maravilhosas ruínas de Tulum a tarde, mas a luz não é metade da maravilhosa que de manhã, infelizmente. A luz e o sol inclusive, são tudo nesses destinos, o mar depende muito disso para estar no tom azul instagram, aquele que dá várias curtidas (pela manhã e perto do meio dia é sempre a hora do clique, amiga dona de casa).

E aí pensei em ficar mais uns dias em Tulum, mas meu próximo destino era tão maravilhoso que tive que focar e abandonar minha praia privada e minha chela bien muerta. E por que fui pra São Francisco depois? Porque fiz a louca e comprei a passagem com a volta por lá, pensei “já que vou lá pra cima mermo, já vejo todas as coisas que tenho vontade”.

Não sei se vou escrever dicas sobre São Francisco, viajar pros Estados Unidos é tão organizadinho e sem erro e tem tantos posts falando dessa cidade maravilhosa… Mas talvez poste algumas fotos e frases amorosas depois.

De Tulum paguei 700 pesos pro taxista me levar até Cancun, onde fica o aeroporto. Se fizesse isso de táxi até a rodoviária (os resorts são super longe, é o jeito mais fácil de andar lá) e de ônibus ADO, ficaria uns 600. Já tava tão mulheres ricas tomando sol três dias inteiros, que pensei “porque não ser rica de novo?”. Mas se for converter pra se divertir, viajei de táxi por uns 120 reais, duas horas e meia de viagem, daora vai!

Autoestima contra o câncer e a maravilhosa Flavia Maoli

Minha amiga Flavia é uma daquelas pessoas iluminadas evoluídas, conheci essa mina porque sou fã do blog que ela fez “Além do cabelo“, onde ela logo deixa claro maravilhosamente: “Câncer não é escolha, bom humor é”, com o jeito leve e inteligente que ela sempre tratou o linfoma e a vida.

Tá na cara que ela tem muitos projetos incríveis pela frente, um deles que eu torço muito é que faça um livro logo, mas o da vez é o “Projeto Camaleão” que está na catarse, aquela comunidade que a gente ajuda a financiar projetos, algo muito legal e feliz quando dá certo com nossos amigos e pessoas que admiramos.

Bom, mas qual é a ideia da Flavia? Mais ou menos explicando aqui é viajar pelo Brasil realizando workshops gratuitos com consultoria de imagem, falando de autoestima e dando dicas de como se arrumar, se embelezar com a moda, maquiagem, os lenços, as perucas e se sentir feliz enquanto você convive com o câncer.

Por que ajudar? Pra isso acontecer e ser de graça, eles precisam juntar um valor para as primeiras cidades, para começar essa trip que tem a única intenção de espalhar o amor, o companheirismo e o Girl Power (sempre!). E fora toda a parte da beleza, do fotógrafo que vai tirar fotos das minas belíssimas, da festa e da alegria de conhecer gente nova, é maravilhoso encontrar pessoas que estão vivendo algo difícil como você, ajuda a falar mais francamente sobre, a se abrir, a confiar e principalmente a se sentir melhor, vendo que não está sozinha no mundo.

Amiga Flavia, que você consiga botar esse projeto em prática e ajude muitas pessoas, deixando elas tão felizes e inspiradoras como você.

Como faço pra ter o seu livro?

Como muitos já sabem, no final do ano (outubro 2013) eu e a Cami Fremder lançamos nosso livro juntas “Como ter uma vida normal sendo louca“. Nesses últimos meses nossos livro esgotou inúmeras vezes nas livrarias do Brasil inteiro (muita emoção), já saiu em segunda tiragem, foi lido por milhares de pessoas e recebeu divulgações maravilhosas por blogs e instagrams por aí. Isso sem contar todos os tweets de leitores com comentários engraçados, alguns encontros que fizemos para falar do livro e lançamentos em algumas cidades (meu sonho no futuro é fazer uma turnê clube do livro pra gente discutir os capítulos e se conhecer). Mas até hoje escuto a mesma coisa, leio a mesma coisa, muitas vezes por dia: Como faço pra comprar seu livro? Bem amiga dona de casa, essa resposta é mais simples do que você imagina!!! Se não tem na livraria da sua cidade, tem em alguns sites que entregam no Brasil todo, tem em ebook pra fazer a moderninha, tem até gente que lê e vai logo vender no enjoei e na olx! Então deixe de timidez e compre o seu exemplar, lembrando que não precisa ser só mina, nem só jovem, muitos meninos também leem e adoram, muitos namorados das nossas leitoras, muitas vovós e até meu tio avô de quase 90 anos, mas ele achou meio maluco, então abafa!

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Links pra comprar o seu “Como ter uma vida normal sendo louca” djá:

Na Saraiva, tá 16,90! http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/5675546

Na Livraria da Folha, tá 19,90… http://livraria.folha.com.br/livros/autoajuda/ter-vida-normal-sendo-louca-jana-rosa-camila-fremder-1215777.html

Na Livraria Cultura, tá 19,95: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=42148827

E no iba, o ebook tá 12,74!!! https://www.iba.com.br/livro-digital-ebook/Como-ter-uma-vida-normal-sendo-louca-f16fe9be06b744ffc7f83fa0ae3e1382

Para minhas amigas e até para as minhas não amigas

Tenho tantas amigas, que se fizer uma lista vou esquecer de várias.

Algumas nunca nem ouviram falar das outras, muito menos se conheceram. De todas, só falo todos os dias com umas três. Tem umas dez que falo toda semana, umas seis que marco de encontrar e nunca vamos. Acho que chega a mais dez o número das que falo uma vez por mês, mais dez as que acompanho pelas redes sociais porque a vida é corrida. Outras fico meses sem saber, vejo quando viajo ou quando acontece um milagre. E tem também aquelas que temos amizades mais temáticas, tipo viagem, trabalho, cachorro, pé na bunda ou aquelas que só vejo quando fazem aniversário e me dão meia hora de atenção atualizando todo o último ano. Algumas não falo, não vejo, não acontece nenhum milagre, nem vou no aniversario, mas sei que estão lá. Elas também sabem que estou aqui.

Cheguei em São Paulo com 20 anos e me declarando “amiga só de meninos porque não confio em mulher”, bem idiotona. Fui vivendo e agregando mulheres maravilhosas na minha vida, novas irmãs, algumas meio mães, loucas da buáti, inteligentíssimas que me inspiram, boas de guardar segredo, pacientes com histórias de foras previsíveis, companheiras de bar, chiquérrimas que me chamam pra restaurantes caros onde passo fome com o prato pequeno. Todo tipo de amiga, todas maravilhosas.

Algumas tem assuntos maravilhosos como elas, me fazem ser uma pessoa melhor na mesma hora, algumas me dão ódio por jamais saírem de casa pra me acompanhar em nada, algumas não prestam muita atenção quando estou falando e ficam olhando o celular (mas em 95% dos casos eu digo: para de olhar essa merda e presta atenção?), algumas já tiveram ou vão ter bebês, e me fazem amar criancinhas que nem conheço ainda na barriga e algumas malditas, daquelas que aparecem só quando terminam com os namorados meio xis que arrumam, aqueles que a gente acaba nem conhecendo direito ou daquelas que leem minhas mensagems no whatsapp e inbox e não respondem. Fico puta, amargurada, mas continuo amando as criaturas.

Amiga tem que entrar nas suas piras todas, te apoiar mesmo que você faça uma cagada, mas se a cagada for séria, tipo noiar em um cara (ou mina) que te trata que nem lixo, ela tem que ser durona e falar “não viaja, abre o olho, você tá sendo idiota”, tem sim que fazer isso, mesmo que você pare de falar com ela enquanto estiver cega. Amiga tem que perguntar sobre sua vida e suas histórias e se interessar por elas, guardar nomes, detalhes, mesmo que seja uma pessoa meio esquecida. Amiga tem que se oferecer pra te acompanhar no hospital, no médico, acompanhar sua gripe de perto, mesmo que a gente saiba que nada disso vai acontecer, mas só pra mandar raiozinhos de amor. Amiga pode perfeitamente ficar de bode da amiga, ter aquela raivinha de leve do tipo “ai que chataaaa, não quero ver nunca mais”, e depois voltar, desde que faça isso com naturalidade e finesse, sem brigas e ofensas (isso jamais!). De preferência ela tem que conhecer alguns dos seus outros amigos, um pouco do seu mundo, sua mãe, sua irmã, se conhecer sua casa e você a dela, melhor ainda, mas tudo bem se não. Jamais pode contar um segredo seu sem querer querendo, ou te colocar pra baixo, te diminuindo pra se sentir melhor ou fazer a sabe tudo o tempo todo.

Me desculpem, talvez eu esteja sendo radical demais, mas amiga pra mim tem que odiar de morte quem te fez mal, tipo aqueles caras que você fica e são mau caráter e, de novo, te tratam mal porque tratam mulher mal, coisas que aparecem pelo nosso caminho. E se elas forem amigas deles também, é melhor que evitem encontrar e esfriem um pouco a amizade, pra honrar você e até elas mesmas. E por favor, amigas tem que fazer coisas sozinhas com as amigas as vezes, sem levar o namorado. Porque se amamos a amiga, amamos quem faz bem e ama elas blá blá blá, claro que sim, mas as vezes não queremos falar sobre sexo, novo iPhone, frustrações, sonhos, livros, menstruação atrasada, TV Fama ou qualquer outro assunto que seja na frente de um bofinho que não estava em cópia quando combinamos aquele jantar. Captou?

Nos últimos dois dias caí nesse texto das minas foda do GWS, pedindo pra gente apoiar as irmãs. E nesse texto da Clara Averbuck, que também é foda com o site foda Lugar de Mulher, falando algo bem parecido: A melhor amiga da colega é a colega.

Temos que esmagar essa minhoca que colocaram na nossa cabeça de que mulher não é confiável, que mulher é traidora com mulher, que homem se respeita e mulher não, que homem guarda segredo e mulher não, que homem sim é amigo verdadeiro e mulher não. Quem foi que começou com esse absurdo e fez essa lavagem do mal nas minas? Ser competitivo, falso, traiçoeiro, fofoqueiro, idiota não depende do sexo da pessoa, e sim dos valores, fraquezas e das proprias minhocas da cabeça dela. Gente ruim não classificamos como homem ou mulher, apenas gente ruim, e acontece.

Amo minhas amigas e hoje sei que ter amiga mulher é foda! Também tenho amigos homens foda, claro! Mas de uma pessoa rodeada por uma turma de quinze meninos, virei uma rodeada por tantas amigas, sei lá mais de cinquenta, sessenta, e nunca me senti tão amada, acolhida, aceita, entende? Vamos aprender com as amigas do GWS e do Lugar de Mulher, a gente tem que se unir, tem que se curtir, se valorizar, jamais achar que a gente é um bicho ruim e não confiável, jamais achar que a gente merece qualquer mal. Porque quando você fala que mulher é falsa, pouco confiável, fofoqueira, que merece algo ruim, você tá ignorando que é mulher também? E que sua mãe também é? Acoooorda, minina! Nós somos maravilhosas, migas!

E desculpe, quem não concorda com isso, fique longe de mim e das minhas amigas. E desse site. E da internet. Inclusive desse mundo, se possível.

Hanson no Top 10 MTV 2013

OMGGGGG

 

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