Jana Rosa

Como criar seus filhos

- Jana, eu sou gay.

- Ah, eu já sabia! Mas não faz diferença pra mim.

Meu melhor amigo da escola me contou que era gay na oitava série. Eu sabia que ele era gay desde que nos conhecemos aos 11, mas quem era eu pra falar alguma coisa, eu sabia que tinha que esperar ele me contar, eu também sabia que eu o amava muito, ainda amo.

Depois da revelação não reveladora nossa amizade continuou igual, ficamos cada vez mais unidos, passamos a conversar sobre novos assuntos, descobrimos artistas, músicas, ídolos novos e fizemos muitos planos para o nosso futuro adulto. Mas as coisas em volta da gente mudaram, a notícia se espalhou pela escola e meu amigo nunca mais pode passar o recreio no pátio em paz.

No final dos anos 90, em uma cidade do interior não tão pequena assim, esse adolescente teve que se privar de ir conversar no pátio e dar risada, comprar um salgado na cantina, paquerar, fazer uma fofoca naqueles minutos tão felizes do recreio. Mas o recreio não era tão grave assim, porque meu amigo passou a apanhar na saída muitas vezes, quase todo dia, ele sofreu o tal do bullying por anos, ele teve que aguentar recados e xingamentos o tempo todo de valentões de diferentes séries.

“Ai” dele se enfrentasse aquela escola inteira de adolescentes furiosos no recreio como um estudante normal, o pátio inteiro gritava ao mesmo tempo, vaiando e urrando ofensas, até ele voltar pra dentro da sala e fingir que estava tudo bem em nunca sair dali.

Um dia fui conversar com a coordenadora dos alunos, eu não aguentava mais ver isso acontecer e queria saber se existia alguma medida que a escola podia tomar, se podia ter alguma aula que ensinasse os alunos sobre respeito, a entender que as pessoas são diferentes e amam pessoas diferentes de sexos diferentes, pedi classes especiais anti homofobia para a escola inteira. Ontem meu amigo me contou que ela chamou ele pra conversar e chamou alguns dos meninos mais agressivos também. Depois disso as agressões e o bullying pioraram. Nenhuma medida para ensinar os alunos foi tomada.

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Com esse amigo e minhas três amigas maluquetes como eu, descobri as baladas gays no final da adolescência. Eu ouvia Madonna a vida inteira, amava o mundo da moda, ler sobre a noite de São Paulo, sabia o nome de drag queens  famosas daqui, só faltava ir na balada gay. Mas em Araraquara só tinha uma bem pequena, chamada Café Paradiso, e começamos a tentar nos enturmar lá, pro espanto da “sociedade”.

Logo começaram as perguntas “Por que você vai na balada gay? Você é gay? Por que você vai então? Mas você é lésbica? Você quer ser gay? Mas por que vai na balada gay?”, começaram também as risadas de “hahahaha você é louca querida” e também sessões extra de show de comentários homofóbicos de tantas pessoas que eu conhecia, da minha família, da escola, da turma.

Não ligamos, começamos também a frequentar festas fechadas com go go boys, drags, travas, bichas, sapatões, bate cabelo, começamos a querer falar pajubá e a encontrar na internet gírias e fatos que nos faziam tão daquele mundo. Nós estávamos sendo adolescentes felizes e normais.

Cresci em um lugar onde gay e sapatão eram xingamento, na minha cidade e em parte da minha família, ninguém conseguia entender porque uma menina como eu, de classe média e com tantas oportunidades pela frente, andava com gays, falava com gays, falava sobre gays, defendia gays, aceitava gays, respeitava gays. Mas esse lugar não é Araraquara, esse lugar é o Brasil, e aparentemente tudo isso continua igual.

Algumas pessoas que fizeram meu amigo sofrer e que nos falaram absurdos durante anos cresceram e viraram adultos legais. São poucas, muito poucas.

Para tranquilizar meu coração sobre todas as outras e não sentir raiva ou ódio, um sentimento já muito explorado por elas em sua homofobia, tento acreditar que é um problema grave de falta de uma enzima diretamente ligada a inteligência, que tira delas a capacidade de entender uma coisa muito simples: cada pessoa tem o direito de gostar de quem ela quiser, fazer o que ela quiser, viver como ela quiser. Porque afinal a vida é dela, o coração é dela, o corpo é dela, o tempo é dela.

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Quando eu era criança fui no aniversário de uma amiguinha com a Aura, minha irmã. Nossa mãe ficou na festa com os adultos enquanto a gente brincava. No carro indo embora, ela dirigia na frente e eu e a Aura estávamos sentadinhas atrás, uma criança de 4 e uma de 5. Aura, sempre mais esperta para perceber tudo, me contou um segredo:

- Tinha dois homens se beijando na festa.

Eu, confusa, consultei a minha adulta:

- Mããããe, a Aura tá falando que tinha dois homens se beijando na festa!

Nossa mãe, uma mulher de trinta anos, a idade que eu vou fazer em dois meses, já mãe solteira de duas filhas, dirigiu muito calma enquanto respondeu:

- Tinha sim.

Isso era diferente de tudo que já tínhamos visto e entendido em meia década de vida.

- Mas mãe, porque eles estavam se beijando?

Minha adulta preferida foi ela mesma, uma adulta maravilhosa:

- Porque tem gente que gosta de homem e tem gente que gosta de mulher, cada pessoa gosta do que ela quiser, é normal.

Eu e a Aura concordamos.

- Ahhhhh tá.

E voltamos a nos preocupar com nossos brinquedos, nossas brigas e o pedido para ter um cachorro. Coisas que eram realmente da nossa conta na vida.

Assim estamos vinte e cinco anos depois, e nunca houve um dia que não entendemos que cada pessoa ama quem ela quiser amar, gosta de quem ela quiser gostar e isso não é questão de certo ou errado, porque isso simplesmente não é da nossa conta.

Aprenda a criar seus filhos.

7 milhões de dúvidas

Meu ano sabático acabou. Então vamos ser honestos, tenho que trabalhar. Sabe aquelas pessoas que dizem “adoraria não ter que trabalhar”? Não concordo com elas, trabalhar é legal, trabalhar dá dinheiro pra viajar mais, trabalhar faz você conhecer héteros gatinhos caso trabalhe em startups com casting bom, trabalhar paga sua catuaba e a catuaba que você oferece pra um estranho mas só descobre que fez isso no outro dia quando vê o extrato do cartão. Trabalhar, curto pacas.

Porém imagine, um ano sem trabalhar, só viajando e fazendo o que você tem vontade – que é beber e sair, obviamente – é a perfeição da vida. E quando acabam esses meses de perfeição, você entra em negação. Estamos em março e ainda estou em negação. Deveria estar cumprindo datas e prazos (joguei essa frase desse jeito pra me mostrar madura e solicitada), mas passo horas pesquisando sobre uma comunidade de surf no Equador e planejando morar nela. Alguém avisa?

Essa negação também me traz um pouco de tristeza, traz também uns momentos merda. Considero normal uma pessoa ficar meio obscura quando estava vivendo dias e meses memoráveis selvagens sem rotina sem obrigações e então tem que voltar pra uma vida sem grandes emoções, voltei pra SP, uma cidade que não me emociona muito porque acho meio ingrata, sem contar o custo de vida que é na casa dos bilhões e tenho que batalhar meus freelas e corres e projetos pra tacar dinheiro pelo ralo em tudo, quando gostaria de estar poupando pra minha vida no Equador com surfistas.

Algumas pessoas próximas começaram a me sugerir uma visita ao psiquiatra para me entupir de tarja preta e quem sabe me sentir melhor, pois qualquer tristeza e momento dark na vida é depressão para o grande público, uma vez que o normal é mostrar nosso melhor sempre nas redes sociais e garantir que tudo está maravilhoso 24h e falar mal das pessoas ao invés de conversar sobre as profundezas da alma confusa em jantares que a conta dá 170 pra cada (SP, bilhões, adeus Equador).

Mas respeito muito minha tristeza e meus momentos dark e não quero ser essa pessoa que está sempre bem com tudo o dia inteiro, porque essas pessoas que estão sempre felizes e gratas e otimistas são umas chatas, tirando a Malala.

*Outra coisa sobre tarja preta: passei uma década tomando todos os tarjas possíveis para ser feliz, plena, dormir, perder fome, não ficar ansiosa com nada. Faz um ano que fiquei limpa dessas drugs, não julgo quem toma e muita gente precisa tomar mesmo, tratamentos psiquiátricos mudam nossa vida quando a gente precisa, mas tarja preta é a minha droga e se eu pudesse tomaria um a cada seis horas e ficaria isolada em casa pra sempre tomando remédios e sem falar com ninguém, acho melhor não mexer com essas coisas de drogastarja.

Meu problema vai muito além da tristeza pós ano sabático, meu problema se chama dúvidas, sete milhões de dúvidas.

Como dizer isso de uma forma simples? Não faço ideia do que quero fazer dessa minha vida.

Morar com surfistas no Equador, muito sedutor o convite, mas o que eu faria enquanto isso? Surfaria também ou serviria caipirinhas para o pessoal que ficou na areia? Viajar para sempre – mesmo que eu tivesse dinheiro – perderia o sentido no segundo dia, porque eu precisaria de uma função maior na vida, do que só fazer check in e check out e beber cerveja com francesinhos de 23 anos e conversar sobre como o Carnaval é “algo que você nunca viu e não se arrependerá em conhecer”.

Fiquei alguns minutos tentando listar todas as coisas que eu não sei e estou em dúvida, tipo “não sei nem onde quero morar”, mas tenho tantas dúvidas que até sobre elas fiquei em dúvida.

Tenho dúvidas sobre esse texto, se vou publicar ou não (atualização: publiquei sem querer na madruga de insônia de tantas dúvidas que tinha na cabeça e depois me desesperei e me arrependi e mudei tudo). Tenho dúvidas sobre todos os textos que já escrevi e publiquei, se deveria apagar ou deixar. Na verdade 80% dos que eu escrevi nunca publiquei, o que me deixa mais triste, pois prova que não sei lidar com textos de forma profissional e organizada, então só escrevo quando me vem um momento. Isso me preocupa porque acho que meu sonho é ser colunista de uma revista legal um dia, mas tenho tantas dúvidas que acho que na verdade não é meu sonho e que nem as revistas são legais.

Tenho tantas dúvidas que, sem querer falar do mesmo assunto sempre porém falando, desfiz meu apartamento e fui viajar um ano com o propósito de descobrir o que eu queria da vida e responder minhas dúvidas. Resultado: fiquei com mais dúvidas ainda.

Enquanto tenho essas 7 milhões de dúvidas, não fico parada, estou trabalhando, criando, escrevendo, fazendo meus corres (nessa parte do texto pretendo mostrar mais um pouco de maturidade e agenda cheia, qualquer coisa acessem também meu linkedin) mesmo todos eles sendo legais e interessantes e me deixando feliz, continuo em dúvida. Não sei se são realmente eles ou se seria outra coisa, não sei se tudo o que eu fiz até hoje foi uma merda ou só metade uma merda ou se o que tô fazendo agora vai sair legal ou vai dar tudo errado e se eu vou conseguir pagar aluguel porque não sei se algo vai dar certo ou se vou ficar pra sempre sem ter noção alguma do que quero da vida ou quem quero ser na vida enquanto tudo dá errado e aí vai ser pior porque ficarei presa pra sempre em SP e tudo vai custar zilhões e nunca vou chegar no Equador.

A maior de todas as minhas dúvidas é: será que as pessoas também sentem isso? Porque parece que a vida de todo mundo é mais fácil e simples e acontece de maneira suave e organizada, onde tudo dá certo de alguma forma e ninguém reclama. E quando eu tento falar sobre isso, a maioria das pessoas lamenta como se nunca tivesse acontecido com elas ou me sugere um tarja preta. Meu maior sonho é falar pra alguém “cara, não faço a menor ideia do que quero fazer da minha vida, tenho tantas dúvidas, não sei se alguma coisa vai dar certo” e a pessoa responder “meu, eu também, vamos falar sobre isso durante sete horas até desmaiar, ficar com dor de cabeça e sem voz?”. Isto se chama “amigo legal pois também tem muitas dúvidas” mas também se chama terapia, análise, falar sobre suas dúvidas por horas, várias vezes por semana. Meu outro sonho seriam três horas de análise por semana até diminuir as sete milhões de dúvidas para umas quinze dúvidas. Só que análise é caro, muito caro, e tenho dúvidas sobre meu futuro se vai dar tudo certo ou errado e se terei dinheiro e se eu posso gastar com isso agora, então guardo o dinheiro pro futuro ou pro Equador, enquanto morro de dúvidas sobre o presente, o futuro e também sobre se devo mesmo ir pro Equador ou se uso esse dinheiro indo pra Índia.

Não sei se deu pra entender.

 

 

 

Quando eu era neném trabalhava na MTV e fazia matérias com minhas amigas falando coisas nonsense e elas iam pro ar. Ai cara como eu amo a zuera.

 

Yes Please

A Amy Poehler é uma criatura maravilhosa. Ela encontrou outra criatura maravilhosa na vida, Tina Fey. Ela são uma dupla maravilhosa e foda e talentosa e especial e eu amo elas de um jeito que as vezes dói. Porque são duas mulheres inteligentes talentosas (já falei muitas vezes as mesmas palavras, mas quero repetir), que atuam, escrevem, são engraçadas (MUITO engraçadas, não pouco engraçadas) e são superpoderosas com superpoderes reais (que não envolvem sapatos e bolsas e barriga chapada e sim inteligência e talento – repetindo de novo palavras repetidas).

A Tina Fey lançou o livro dela, Bossypants, em 2011. Ganhei da minha amiga Duda com muito amor e foi tão bom ler, etc. Agora a Amy Poehler lançou o livro dela (em 2014, porem fiquei com preguiça de achar no google #textonãojornalístico), que fiquei sem conseguir comprar por um tempo porque não tinha um endereço fixo mundial, mas cheguei em SP e encomendei na Amazon. Seguem imagens na tela:

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Todos os livros são especiais (principalmente um foda chamado “Como ter uma vida normal sendo louca” #publi), mas alguns mudam a nossa vida um pouco ou muito. O da Amy foi um desses que mudou muito pra mim. Como sou ótima com listas porque elas são fáceis de escrever e rápidas e não precisam de uma super edição e todos gostam do Buzzfeed, vou listar motivos que amei Yes Please.

- A Amy é MUITO ENGRAÇADA NA TV (E NO CINEMA – saudades mãe da Regina George) e ler o livro dela é como deve ser conversar com ela, você ri o tempo todo, ás vezes dá gargalhadas, pessoas te olham no restaurante curiosas e assustadas, enquanto você come fritas e bebe sprite gargalhando misteriosamente.

- Ela é uma pessoa bem sucedida de Hollywood e expõe fraquezas e inseguranças o tempo todo, de um jeito muito real e normal. Ser normal porém louca é tudo (leiam “Como ter uma vida normal sendo louca” e saibam mais #publi)

- Ela é uma pessoa foda e famosa no mundo inteiro, mas tem fases e momentos até hoje que se sente perdida e loser e lixo, obrigada por ser tipo a gente (porém não somos famosas, apenas fodas com fases loser e lixo).

- Ela fala do demônio que fica infernizando todas as mulheres na frente do espelho pra elas (nós) acreditarem que são feias, gordas, baixas, altas, desproporcionais, estranhas. Acontece com ela também e ela troca muita ideia com ele que obedece muito ela, maravilhosas dicas.

- Ela escolheu a personalidade dela e não a beleza, mas ela continua sendo linda, talvez porque desde cedo escolheu a personalidade.

- Ela ama ter amigas e como é bom mulheres amarem e confiarem nas suas amigas.

- E ela ama crescer com seus amigos e evoluir com eles e fazer sucesso com eles, como é bom pessoas que não querem competir, querem caminhar junto com gente legal (#eumedesenvolvoeevoluocommeusamigo)

- Ela começou a ganhar dinheiro mesmo e ser famosa mesmo com 30 anos, um alívio infinito pra quem tá fazendo 30 anos nessa crise maldita que dá na gente de não ser uma milionária com um apê comprado e um príncipe encantado e ainda comer miojo. A vida não é a Gisele Bundchen, famosa e bem sucedida aos 19.

- Ela é gente como a gente que tem medo da morte e de uma tragédia acontecer e lê sobre tragédias trash na internet e perde o tempo encanando em paranóias absurdas.

- Ela fala sobre ser mulher, envelhecer, ter filhos, trabalho, sexo, iphone, divórcio, sei lá, ela fala de tudo, como se você tivesse na mesma sala que ela, te fazendo rir, ás vezes querer chorar também.

Acabei esse livro e me deu uma sensação de alívio, uma pessoa tão especial é tão normal e cheia de dias ruins e dúvidas, faz a gente se sentir especial também (estou um pouco repetitiva nesse post não é mesmo).

Então acho que todos deveriam ler Yes Please, caso não tenha ficado claro que essa era a mensagem do post.

ps: Como a propria Amy revela no livro, ela e todos os atores de Hollywood dão auto Google sempre, então Amy se você chegou aqui e traduziu esse texto no Google Translate, queria te mandar um beijo e prometo nunca te pedir pra ler um roteiro meu no metrô.

ps2: Não sei se esse livro já lançou no Brasil e quando vai lançar e por qual editora será lançado, fiquem ligados em livrarias sempre para saber mais sobre esse e vários outros livros como o grande best seller mundial “Como ter uma vida normal sendo louca”. Obrigada, beijos.

Viajar pra Istambul sozinha

Foi esse o Google que eu dei, dezenas de vezes, até finalmente decidir ficar uns dias na Turquia. Sozinha em Istambul? Li todo tipo de opinião. Cuidado! Muito perigoso para mulheres! Maravilhoso! Vai na fé!

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Ah, sempre quis ir pra Istambul (e para todos os lugares e para todos que ainda não fui, ainda quero), mas como quase tudo que aconteceu nesse meu ano, foi na louca e de surpresa que cheguei lá (aqui vai um aviso, algumas pessoas ficam muito nervosas com meus relatos porque não sou certinha, não falo de pontos turísticos, não sou uma guia de agência de turismo. Se você é uma delas, procure sua turma, a minha é da paz, amor e viagens crazy sem rumo).

Da Rússia eu planejava voltar para Berlin mas, antes de ir, descobri que teria que vir pra São Paulo cuidar da saúde um pouco (mas tudo bem, está tudo bem, obrigada), então a passagem Russinha -> Brasil ia parar em Istambul e eu estava me sentindo destemida como sempre fico quando a saúde fica treta, resolvi ficar pra ver.

Cinco noites e quatro dias eram o tempo que eu tinha. Já cheguei em Istambul me arrependendo, nos primeiros minutos me bateu um desespero de QUERO FICAR MAIS, MESMO SEM TER TE CONHECIDO (te considero paaaacas). Já peguei a senha do wifi e comecei a ver quanto custaria mudar a passagem.

Afinal é praticamente criminoso ir até lá e não conhecer a Capadócia, outras cidades além de Istambul, ou até ficar mais tempo, só amando esse lugar mágico. E ele é mágico, mesmo!

Sabe o mês que fiquei no México? Eu queria ter ficado um mês nesse esquema na Turquia, de estado em estado.

Istambul é uma cidade ENORME, com muita, MUITA gente, gente por todos os lados, lotada, tudo lotado, muita informação e barulho e trânsito maluco e mais gente. E é uma cidade linda (acho que já falei, mas vou repetir) e com uma energia absurda que não sei explicar, foi místico, foi mágico, eu olhava pra aquela cidade apaixonada.

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Já disse que te amo hoje?

Tem as comidas mais deliciosas que já provei na vida. E posso dizer com muito orgulho que comi até rolar o tempo todo, desde o café da manhã que é enlouquecedor até o jantar, ficava triste porque muitas vezes não aguentava comer tudo que gostaria. É uma cidade de muitos tesouros, para olhar e também para comprar. Cada passo que você dá tem uma lojinha, uma vendinha, uma barraquinha, um bazar. E coisas lindas, maravilhosas, que fazem brilhar seus olhos e te dão vontade de decorar sua casa inteira e o mundo inteiro, de pendurar tudo aquilo em você e se enrolar naqueles lenços.

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Café da manhã PQP VEM NI MIMMM

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Eita, como não comprar tudo?

Não tem como ir e não comprar um pouquinho (ou muito), afinal eles amam que os turistas barganhem cada produto tentando levar mais barato. E você entra naquela loucura de negociar preços sem fim, até cansar e não aguentar mais, mas fica tão feliz quando finalmente consegue comprar. Sempre que você acha que foi uma vencedora barganhando aquilo, dá três passos na próxima loja e vê que foi uma loser e lá é ainda mais barato. Aí começa tudo de novo.

Achei o metrô fácil de usar, cheio de apps que encontrei na hora e funcionavam offline, todos os pontos turísticos são fáceis de encontrar sozinha e achei seguro ir para eles, além de pegar muitos “tutoriais” no mochileiros.com. Ah, Istambul é um destino barato de viagem, comparando com trips de Europa, por exemplo, vai na fé!

Mas qual é o medo de ir sozinha pra um lugar tão mágico? Em alguns blogs que você vai ler, sempre vai ter essa discussão, afinal a Turquia é um país de religião muçulmana e tanta gente conta histórias desconfortáveis com turistas sozinhas em muitos países com religião muçulmana. Para mim talvez tivesse sido um pouco choque cultural se tivesse ido do Brasil, sempre conheci muito pouco da cultura muçulmana morando aqui. Mas depois de dois meses em Berlin, morando no bairro dos turcos e estudando no outro bairros dos turcos, já tava normal ver as mulheres com hijab.

Eu fiquei preocupada na hora de ir, porque não sabia direito como era e não queria ofender ninguém saindo pela rua me mostrando demais, até comprei uma saia longa preta, mas chegando lá percebi que tem as minas de hijab, tem as minas de niqab, tem as minas de burca e tem as minas de cabelo ao vento e alcinha e vestido no meio da rua (tem até as de decotão), todos PARA MIM pareceram conviver muito bem – minha experiência, notem que é apenas sobre ela que posso falar.

Então eu fiquei a vontade todos os dias com as minhas roupas de sempre, que são meu uniforme e já tem toda uma rotina de tentar se apagar ao máximo por medo das chatices que podem rolar quando você viaja sozinha (ops, ou quando você anda na sua própria cidade, já que nossa realidade é essa também) e são legging, coturno e camisetão. Mas as meninas do meu quarto do hostel, por exemplo, saiam de vestidinho branco de alça pra passear super confiantes. Essa foto janessapaparazza ilustra bem uma cena típica em Istambul, muitas mulheres diferentes sentadas no mesmo banco e muitos MUITOS homens por todos os lados, como tem “hóme” nessa cidade gente.

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Os turcos me trataram muito bem do começo ao fim, foram muito maneiros. Eles são animados, engraçados, querem saber de onde você é, querem conversar, eles são um povo simpático e legal, pelo menos em Istambul! Me senti respeitada todos os dias, o único que mexeu comigo foi um dia que saí de delineador e ele me disse: NICE EYES. Nice eyes, essa eu nunca tinha ouvido mesmo.

Fiquei no melhor hostel que já conheci nessa vida, se chama #bunk taksim. Lindo, novo, LIMPO, organizado, bem localizado, com um restaurante/bar no terraço muito bom, funcionários muito legais e o café da manhã mais absurdão da vida (que custava alguns euros, mas eu tirava uma hora e meia para comer até rolar, ah! saudades!). Eu falei pros donos: QUERO MORAR AQUI, POR FAVOR, realmente considerei, pena que tinha que ir pra SP correndo.

Olha, muitas mulheres me perguntam “posso ir pra Istambul sozinha sem medo?”, me baseando na minha experiência que foi tão legal, eu sempre digo sim, andei por lá tranquila, conversei com todos, me vesti normal ocidental ok, mas CLARO, não andei sozinha a noite (precauções de seeeeempre), não fiz nada que corresse muito risco (afinal é uma cidade enorme como SP e também nunca faço em SP), não entrei num beco deserto, não marquei bobeira jamais, coisinhas de quem já tá maaaaais que acostumada, mas sempre gosto de lembrar.

Istambul foi puro amor, muito mais que amor, viu. De todos os lugares que eu estive esse ano, foi um dos únicos que por mim eu voltaria ano que vem já, se tiver a chance de ir, não pense duas vezes.

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Na esquerda é a Ásia, na direita a Europa, dos dois lados uma cidade mágica <3

Se você diz que gosta de moda

Foi lendo Capricho que eu descobri o que era ser clubber. Dizia a revista de toda adolescente brasileira que eles eram febre pelo mundo, que usavam roupas coloridas, plataformas, cabelos coloridos, piercings, mochilas infláveis e gostavam de dançar música eletrônica por muitos dias seguidos.

Logo em seguida fui pra São Paulo de férias, minha mãe tinha um namorado que era da turma do teatro, ele queria conquistar as filhas da namorada e levou a gente no Mercado Mundo Mix. Isso mudou minha vida.

Aquela galpão cheio de pessoas modernas, livres, diferentes, música, acessórios, drag queens, curiosos, tudo junto e misturado, foi um choque de realidade pra mim, garota de 13 anos do interior. Eu realmente não sabia que poderia me vestir como bem entendesse, na minha cidade a única opção era ser igual todo mundo.

Parece que foi ontem (mas faz tanto tempo, meu Deus!), decidi virar clubber naquele dia. Mas com 13 anos, minha versão clubber não fritava na rave, eu nunca tinha ido numa balada aliás, só fiz um guarda-roupa todo inpirado, com peças do Mundo Mix, da 25 de março e da Zapping.

Foi aí que descobri que eu era estranha, voltei pra minha cidade e apareci na escola com colar de bolas coloridas, bracelete de pelúcia, unhas pintadas de azul, camiseta do Chapolin. Começaram a me tratar como louca, mas eu não conseguia mais parar de ser diferente, tinha alguma coisa muito especial acontecendo.

E quando me apaixonei pela possibilidade de ser única, conheci a tal da moda.

A moda era muito clara pra mim desde o começo, ela era ser, não era ter. Ela me ajudava a contar pras pessoas a minha história, mostrar os meus gostos, simplesmente chegando com aquelas coisas coloridas todas penduradas.

Decidi minha vida, era muito simples! “Vou ser estilista quando crescer”.

Comecei a desenhar croquis na aula de física, a sonhar com as roupas que eu usaria em cada ocasião da minha vida. Eu me imaginava adulta e pensava como eu estaria vestida quando fosse linda e bem sucedida, sempre me via de calça bailarina.

Eu era obcecada pela Erika Palomino, ela era mais que a Madonna pra mim. Levava o Babado Forte, livro dela, todos os dias na escola e lia e lia de novo. Os jovens da minha classe me diziam: você é estranha, você lê esse livro sobre gays o dia inteiro! Mas eu queria ter um monte de amigos gays, eu achava triste só ter um.

Além de usar calça bailarina no futuro eu também planejava  conhecer a Erika e ir pra balada com ela. Anos depois ela foi uma das minhas primeiras chefes, nem sei se ela lembra, foi tão rápido mas lembro sempre. Realizei o sonho, um dia consegui me enfiar num táxi dela e da turma dela pra ir pro D-edge numa segunda-feira. Entrei de graça pela primeira vez numa balada, junto com a Erika.

A cada seis meses eu ia na banca todos os dias perguntar se tinha chegado a Caras Moda, queria ver os comentários da Regina Guerreiro sobre os desfiles do Morumbi Fashion. Um dia a Directv começou a exibir os desfiles do Morumbi Fashion ao vivo, quando eles acabavam a Regina fazia os comentários na lata. Aqueles dias eram os principais do meu ano. Chegava da escola, ligava a tv e assistia um por um, emocionada por “fazer parte” daquilo. Eu sonhava que um dia poderia ver um desfile de perto.

Posso dizer que consegui tudo o que sonhava enquanto pequena clubber do interior. Conheci a Erika, a Regina, trabalhei com a Gloria, troquei tantas ideias com a Costanza. Na época que eu fazia estágio no site Chic, minha meta era que todos os estilistas e editores brasileiros me conhecessem, eu queria muito ser alguém naquele rolê.

Um a um foi me chamando pelo nome, alguns me chamando pra ir em festas na própria casa, outros pra conhecer o atelier, almoçar, alguns me perguntavam o que eu achava de tal coisa ou tendência. Sentei na fila A, ganhei jabás caríssimos, fui convidada pra festas que todo mundo queria ir, foi legal.

Depois disso veio minha fase mais sombria - mas necessária – de horror e ódio a moda. Eu estava saturada de só falar disso, só ver isso, só conviver com pessoas que trabalhavam e viviam isso. Como sou um pouco (muito) extrema demais, jurei que odiava e nunca mais queria saber desse assunto, queria recomeçar a vida sem lembrar desse passado. Fiquei um tempo com tanto pavor que passava mal de ir a um desfile, tinha ataque de pânico, me sentia ofendida se alguem que perguntava o que usar numa situação qualquer.

Foi importante esse momento de aversão total pra poder ficar longe, bem longe da moda.  Eu que via todos os desfiles pessoalmente ou pela internet, lia tudo sobre, respirava qualquer coisa que tivesse a ver, simplesmente nunca mais ouvi falar, normal girl total. Pela primeira vez na vida comecei a comprar roupas porque achava práticas, porque eram baratas ou confortáveis, porque seriam fáceis de lavar na máquina sem encolher, nunca mais abri uma revista sobre qualquer tema parecido.

Então uma coisa muito legal aconteceu, criei uma nova relação com a moda, totalmente inocente e sem vícios antigos, comecei a prestar atenção no que as pessoas usavam de novo (nesse ano estive em tantos lugares diferentes e vi tantas pessoas maravilhosas que não tinha como não olhar), voltei a sentir o tal do desejo por uma botinha diferente aqui, uma estampa ali, um novo comprimento de vestido, tudo sem saber de onde veio, cópia de quem eles eram, se era so last season ou não, puro amor e vontade de me vestir e me comunicar, como era no começo.

Voltei a me divertir com a moda, a me vestir pra contar minha história, ter vontade de dar risada dela, ser a estranha de novo. Isso me fez lembrar de tudo.

Mas dessa vez não lembrei das coisas ruins que me fizeram desencanar e sair fora desse mundo, lembrei de ser clubber e montada indo pra escola, da Regina Guerreiro falando absurdos e deixando todo mundo de cabelo em pé, do site da Erika que me mostrava tudo sobre a cultura jovem, da Gloria Kalil me aturando tão pirralha e sonhadora e continuando uma chefe chic, da Costanza fazendo maluquices quando eu pedia, com total confiança a paciência em uma blogueirinha cara de pau, da emoção que eu sentia quando começava a música alta e vinha aquele desfile, por mais que fosse um bem feio, porque eu me sentia grata por estar ali finalmente, de muitas risadas, muitas tendências horrorosas que gostei, usei e ainda espalhei pra pessoas inocentes que era legal sem pensar nas consequências (desculpem pelo batom azul), tanta coisa, tanta saudade.

Não que eu queira voltar no tempo, o que eu virei não dá pra “desvirar”, mas lembrei de todas musas e musos que tive, pessoas que realmente se interessavam, liam, pesquisavam e entendiam do assunto, mas elas não entendiam só de moda, elas sabiam de cultura pop, de música, da noite, de arte, de tecnologia, essas pessoas escreviam sobre tudo isso, entrevistavam os estilistas, mostravam o olhar delas sobre o que tava acontecendo no mundo, essas pessoas tinham algo pra falar, elas se vestiam maravilhosas ou malucas por consequência, porque também queriam estar bonitas e contar a propria história – e elas continuam fazendo tudo isso. Foi por elas que eu cresci amando a moda e querendo falar sobre ela, sem achar que precisava de muito dinheiro pra isso, porque a verdade é que só precisei de interesse, vontade e determinação, eu não tinha um real mesmo. Quando a coisa mudou e tudo virou look do dia e foto no instagram, eu não tive maturidade pra perceber que podia nadar contra a corrente e continuar ali.

Mas agora o tempo passou e eu voltei, porque eu aprendi com a Regina, a Erika, a Gloria, a Lilian, a Costanza, a Jussara, o Jorge, a Vivian, o Jackson, a Alexandra e com certeza outros que eu esqueci de citar, que é assim que se faz. E eu acho que se você diz que gosta de moda e chegou até aqui, ainda pode fazer uma difereça (nesse) mundo.

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O que você precisa saber para ir pra Rússia

Minha experiência na Rússia foi maluca e tretinha desde o começo, mas nada poderia combinar mais com a Rússia, que foi o lugar mais maluco e tretinha que estive esse ano e talvez na vida. Rússia não é para os fracos, se você não é forte, pare de ler (uma dose de drama canceriano, mas leiam até o final).

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Sempre pirei nessa igreja e quando cheguei lá fiquei chóqui e fiz um carão pra foto

Por ser um lugar tão longe, com uma língua tão diferente e letrinhas tão (quase) impossíveis de entender, eu sempre disse que adoraria ir pra lá, mas nunca realmente planejei, ia ficar pra daqui alguns anos. Só que quando percebi, tava ali do lado em Berlin e dois amigos meus estavam chegando, no fim de uma viagem que ia começar na China e acabar em Moscou e São Petersburgo. Na verdade nem pensei “vou pra Rússia”, pensei “vou ali encontrar meus amigos que a passagem tá baratinha (tipo 70 euros)”. Quando vi chegou o dia de ir, eu tinha até esquecido.

E aí começa toda a maluquice e o mau exemplo ~NÃO FAÇA ISSO EM CASA~, comprei a passagem na louca e esqueci de ver na internet se precisava de visto, mas a Aurea minha amiga tinha me dito alguma coisa, eu não lembrava se ela tinha me dito que precisava ou não, só que isso era a véspera de ir, muito crazy. Chegando no aeroporto em Berlin, a mocinha da companhia aérea me perguntou “você tem o visto pra entrar na Rússia?” eu disse “não moça, eu li na internet agora pouco que brasileiros não precisam”, ela fez uma cara de merda e chamou outro cara, eles ficaram conversando e me perguntaram “você tem certeza disso? Nunca ouvimos falar”. Pesquisaram e viram que realmente eu não precisava, mesmo assim fizeram cara de climão e me disseram “que estranho o Brasil não precisar de visto lá… boa sorte”.

Bom, eu precisaria de sorte mesmo, porque o voo era seis da manhã e eu tinha ido direto da balada, meio transtornada e ainda bêbada, tudo errado para quem viaja sozinha, que tem que ficar meio alerta sempre e não bêbada alucicrazy indo pra um lugar que não vai conseguir se comunicar. Porque claro, eu acreditava que ia falar inglês na Rússia, até chegar lá e descobrir que, pelo menos em Moscou, quase ninguém fala inglês, mesmo as pessoas do aeroporto.

E pra piorar tudo isso, cheguei com um look errado, de coturno e minissaia e meia calça inteira rasgada, que prendeu na minha mala descendo com ela por cinco andares de escada bêbada, de batom vermelho e cara toda borrada (praticamente uma Courtney Love) e casaco militar, meu uniforme de balada em Berlin, quando cheguei em Moscou todo mundo no aeroporto me olhou bem estranho, e claro que o tio do controle de passaporte encanou comigo. Ele não queria me deixar entrar porque eu fui via Alemanha. Mas teve que deixar, porque meu passaporte era brasileiro e eu também, só que fazendo uma cara de poucos amigos, que depois eu entendi que era a cara de quase todos os russos.

Assim começaram 13 dias de muita emoção, na verdade foram muito MUITO divertidos pq eu estava com dois amigos e ri muito de tudo, mas sozinha eu estaria em depressão até agora chorando.

Russinha facts:

- TAXISTAS SÃO TRETA: em qualquer lugar que você ler na sua vida sobre a Rússia, vai estar escrito que os taxistas cobram muito caro pros estrangeiros e que todo mundo leva golpe quando chega lá. É verdade? Sim, é verdade. Mas vai pegar o metrô chegando? Se chegar em São Petersburgo até rola, porque o metrô é bem sinalizado e tem os nomes no nosso alfabeto também, além de avisar em que estação você está. Em Moscou é tudo em cirílico, não tem direção de nada e não está claro nem pela cor, além de só avisar em que estação você chegou pela voz da tiazinha falando. Vai encarar? Eu não encararia nas primeiras horas, antes de sentir a maldade no coração. Então está aqui um pequeno guia para lidar com os taxistas. Eles são malditos e mal humorados, eles não falam inglês e o carro deles não é um táxi, é o carro de um tio que tá lá fazendo um freela de taxista, nenhum tem taxímetro.

Quando você mostrar o endereço de onde vai, seja seu hotel, hostel ou uma balada, eles vão olhar pra sua cara e falar o valor, se comunicando fazendo algum número com os dedos. No aeroporto eles vão te cobrar na casa dos X mil rublos. Provavelmente uns 3 mil, 2.500. Saiba que em moscou vale entre mil e 1500 essa viagem e em São Petersburgo vale no máximo mil. Quando eles falarem um valor absurdo, você tem que ser firme e mostrar que é mais criminosa(o) que eles, na verdade sempre na Rússia você tem que mostrar que é mais treta que eles, que é brasileiro malandrão (brincadeira, mas com fundo de verdade). Exemplo:

Taxista treta: “3 MIL” fazendo um trêszinho com a mão

Você fingindo que é treta: “Нет (fala tipo NÊT) 1 MIL” fazendo unzinho com a mão.

Vocês vão discutir, muitas vezes ele vai continuar falando 3, ele vai gritar, te odiar, você vai sentir medo, angústia, mágoa por ser odiado, e aí você diz “então 2″ e provavelmente depois de mais uma briguinha de alguns minutos ele vai fazer que sim com a cabeça. Caso não faça, parta pra outro taxista treta, até conseguir. Mesma coisa para valores mais baratos na cidade. Sempre vão cobrar 500 pra te levar nos lugares, mas vale geralmente 200 ou 300. Pra balada ensinaram a gente a sempre falar “TRISTA” que é trezentos, e brigar até conseguir. Enfim, entendeu que na Rússi é assim, tretinha desde o começo? Então tá.

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Moscou

- HOSTELS SÃO TRETA: Nós procuramos hostels com notas boas e bons reviews no Hostelworld e achamos os que ficamos. Em St Peters era realmente bom (MIR Fontanka Hostel), ou melhor, comparado ao padrão russo de qualidade, era um sonho. Mas talvez porque chegamos primeiro em Moscou e Moscou é team treta total, o choque foi muito grande (nome: Oh So Indie Hostel). Foi o hostel mais sujo que já fiquei na vida (lembrando que tudo já é meio sujo para nós brasileiros, povo lindo e limpo que não há igual, porém tô falando de um lugar realmente sujo) e mais estranho, com muitas pessoas morando lá, uma casa cheia de russos e ucranianos morando que ficavam de pijama o dia inteiro no computador na sala, com um porteiro no prédio que não abria a porta pra gente de madrugada e nos trancava pra fora, tivemos que roubar uma chave clandestinamente pra poder voltar a hora que quisessemos em paz. E se você acha que o hostel era barato, não sonhe, era caro e mesmo assim fiquei até doente com a sujeira e poeira do quarto feminino, além do banheiro ser tão sujo que em 6 dias de Moscou tomei 3 banhos, mas só por respeito aos meus amigos, por mim teria tomado só um mesmo pra nunca mais voltar naquele banheiro (e mesmo assim peguei uma micose no pé treta, que Dr Lena minha dermatologista princesa ficou em choque quando viu #oversharing mas sou sincerona – e já está quase sarando, obrigada).

- METRÔS SÃO TRETA: Como eu já disse ali em cima, o metrô de Moscou é muito difícil de andar, mas não impossivel. Acontece que nós tivemos uma “guia” nos primeiros dias lá, nossa amiga russa Ekata que foi um anjo e ensinou tudo pra gente. Então fomos muito mal acostumados. Mas sozinhos a gente estaria até agora perdido em alguma daquelas estações maravilhosas. O que eu mais amei da Russinha foram as estações de metrô, quem me segue no instagram (@janarosa) percebeu a obsessão, cada uma é diferente da outra e cada uma é de tirar o fôlego de linda, é um mundo subterrâneo incrível (e no metrô de Moscou tem wifi aberto, pra você fazer sua selfie com aquela beleza toda).

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- BALADA É TRETA: Chegamos em Moscou de forma triunfal, na nossa primeira noite, com nossa amiga russa e outra amiga local dela, nós fomos em quatro baladas. A primeira era de música eletrônica, mas um som meio Jurerê Internacional, fugimos rápido, a segunda era meio que um puteiro com umas russas absurdas dançando em cima do balcão e um dj maravilhoso que só tocava uns hits meio “ai ai ai Coco Jamboo”, era um sonho, sabe lá porque saímos dela e caímos numa terceira que era a balada dos hipsters de Moscou e tocava Michael Jackon e tinha muitos lindos (mas não sei falar nem escrever o nome dela e nem da outra) e de lá fomos em um pub cheio de homem bêbado e garotas de programa que queriam cobrar pra dançar com meu amigo, mas nós estávamos tão bebados que fomos embora sem fazer nenhuma amizade promissora e ficamos loucas porque passava um show da Spice Girls no telão atrás das strippers e achamos que as Spice tinham voltado.

E foi essa nossa historia de balada russa, porque em todos os outros dias nós bem que tentamos, mas sem uma companhia russa eles simplesmente nos barravam. Não importa se estivéssemos “normalzinhos”, montados, góticos, de jeans, em todas eles olhavam pra gente e diziam “Closed” fazendo um xis com os braços. E então percebemos que eles não gostavam de estrangeiro ali. No ultimo sábado em São Petersburgo, meu amigo saiu sozinho, porque eu e a Aurea já não aguentavamos mais ser barradas, deram um bilhete pra ele no hostel escrito em russo “ele está hospedado no nosso hostel, deixem ele entrar” e ele disse que era do Brasil, mostrou o bilhete e finalmente deixaram ele entrar. E na única balada que conseguimos entrar em St Peters, aconteceu a maravilhosa cena de um cara vir chamar a gente pra dançar, a gente negar e ele dizer que queria dar um tiro na nossa cabeça e que era policial. Super agradável, super hospitaleiro, a gente vazou da balada na hora, porque na Rússia nunca se sabe, a galera é maluca mesmo.

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São Petersburgo belérrimooo alucinante

- PREÇOS SÃO TRETA: A Rússia é cara, principalmente Moscou. O hostel não é barato, o táxi não é barato, a bebida não é barata e nem a comida. Tivemos um momento em Moscou de comer na praça de alimentação de um shopping e pagar 70 reais em um prato, comendo inclusive com garfinho de plástico. Um pouco mais pra frente, pensamos em sentar pra tomar um cafézinho, mas percebemos que ele custava 22 reais. Quem converte não se diverte, eu sei que vão falar isso, mas eu estava vindo de Berlin, onde tudo é barato, foi muito chocante tudo ali. E gastei todo meu dinheiro nesses treze dias. H&M e Zara li em alguns sites que também são meio caras lá, não é aquela viagem pra você refazer o guarda-roupa cheio de blusinha nova da h&m não #dicasdemodasdasitpobre. Museus e passeios também são caros, tudo é caro nessa Russinha.

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O que eu mais amei, monumento do Museu da Cosmonáutica em Moscou

- COMUNICAÇÃO É TRETA: Como já falei antes, quase ninguém em Moscou fala inglês, provavelmente todas as placas estão em cirílico pela cidade e as tias da bilheteria do museu e dos locais turísticos se incluem nesse grupo de pessoas que não falam inglês. Como se comunica? Fala com o coração tipo a Hello Kitty ou mímica, fala em português, mostra palavras e imagens no seu celular, um dia você consegue. No aeroporto é aquele baguncinha, tudo é aquela baguncinha, você fica meio maluca. Mas o problema mesmo é se sua primeira cidade for Moscou, porque você ainda não aprendeu a ler cirílico e se virar (nós aprendemos o alfabeto porque somos inteligentíssimos e conseguíamos ler o menu, algumas placas, também aprendemos a falar palavras que importam: água, cerveja, obrigada, por favor e graças a Deus vodka chama vodka). Em São Petersburgo é mais normal falarem inglês, principalmente nos restaurantes e museus. Até um taxista falou inglês comigo na hora de ir embora, ele me perguntou “Do you like music?”. Achei maravilhoso.

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Mais São Petersburgo

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E mais, Catedral do Sangue Derramado

- EXTRAS: Quase tudo no Foursquare está em cirílico, é quase impossível de usar o app. Yelp não funcionou pra mim lá, não sei se as pessoas usam muito. Os lugares fecham cedo, jantar é cedo, balada mesmo só de sexta e sábado, quem é clubber sofre por lá (sofre mesmo aliás, pois não te deixam entrar na buáti…). Existe um app que “scaneia” o que está escrito e mostra em inglês, você pode comprar o modo russo que lê o alfabeto cirílico para ler cardápio e algumas coisas que precisar, ajuda MUITO. O nome é “Word Lens”.

- MAS VALE A PENA: Se você ama História e quer conhecer esse mundão mesmo, tem que ir pra Rússia, quase tudo que tá lá você estudou por toda a vida e é surreal ver de perto, fora que são tantas coisas lindas que dá aquele calorzinho no coração de achar demais essa vida de poder ver tudo isso. Não sei se eu iria sozinha, porque deve ser meio solitário, não é um destino cheio de viajantes como a maioria dos lugares, não é um país de fácil comunicação e amizade com os locais, os dias teriam sido uma eternidade sem meus amigos. Moscou é turismo puro, mas é um dos lugares mais estranhos que eu já fui, isso é legal, fora que é deslumbrante a noite. São Petersburgo é uma cidade chocante de linda e infelizmente não peguei um barquinho pra ir pra Finlândia que fica do lado.

Quando eu saí de lá, ainda no calor da emoção, pensei que nunca mais ia querer voltar. Agora que já passaram três semanas, lembro com muito carinho daqueles dias de pura faca na botinha e muita treta, é muito, muito chique ir pra Rússia. Eu recomendo pra quem quem gosta de viajar nível profissional.

Sozinha no mundo, mas não me pede pra voltar

Eu que comprei um monte de passagens e fiquei meses olhando fotos de destinos dos meus sonhos no Google, nunca lembrei desse pequeno detalhe chamado solidão.

Eu que nunca senti saudades de nada e nem de ninguém, sinto vontade de dar uma choradinha quando acaba a aula de alemão na sexta e tenho que voltar pra casa e pensar no que fazer no fim de semana todo.

Atenção que também rola uma dose de drama, claro! Estou em Berlin, a cidade das baladas que começam sexta e acabam segunda, nunca fico sem me arranjar, conseguir companhia pra qualquer tipo de diversão ou roubada. Mas é diferente, ainda falta alguma coisa e vem uma tal de solidão que eu nem imaginava que existia.

É a sensação de estar longe de casa, mesmo que você nem tenha mais casa, longe da cidade que você estava acostumada, com sua família ali, sua turma toda de anos, o garçom do japonês que te segue no Twitter e sabe qual tipo de sushi você gosta sem você falar nada.

Mesmo eu já tendo me acostumado com Berlin, já sei andar no metrô sem olhar o mapa, sei que o caixa do supermercado do turno da noite é gatinho e evito comprar Nutella na sexta se for ficar em casa pra ele não perceber que zerei na “náite”, já sei qual H&M exatamente tem as melhores peças e recebo “Hallo” dos tios e tias das vendinhas, mesmo com tudo isso.

Fiz amigos maravilhosos, a maioria brasileiros, porque sabe como é, a gente se entende, se abraça logo de cara, se ajuda, coisa que demora milênios com pessoas de outros países realmente. Algumas pessoas torcem o nariz “nossa, mas está aí fora e foi arrumar bem amigos brasileiros? Pare de andar com brasileiros!”, mas atenção amiga, não é porque saí do Brasil por um tempo que odeio o Brasil e os brasileiros, é simplesmente que acho o mundo grande demais pra não morar um pouco em cada país. (Eu continuo sendo brasileira e queria comer pão de queijo todo dia se possível, grata!)

Apesar de tudo isso, demorou um pouco pra eu perceber que estava com essa carência de quem tá longe. Um tanto de obsessão por whatsapp com amigos sufocando as criaturas, lagriminhas na rua quando toca uma música que me lembra algo ou alguém, loucura de vontade de estar com a minha mãe. Ás vezes até falo sozinha mandando recados para o Zeca (meu cachorro), esperando que cheguem via outra dimensão.

Ah, mas já sei o que você vai dizer! Tá triste? Tá carentona? Se sente sozinha? Então volta!

Mas e aí, vou resolver tudo assim sempre? E não vou ser mulher o suficiente pra aguentar um pouco o choro e entender que nem sempre todos os seres humanos que eu amo vão estar coladinhos em mim, satisfazendo meu egoísmo sentimental manipulador canceriano?

Quando eu decidi viajar, estava no meio de uma loucura que me deixou de ponta cabeça, zicas de saúde que tinham dois possíveis resultados: um tratamento longo ou uma sorte do caralho de receber alta. Recebi alta e não pensei duas vezes, vim aproveitar minha vida do jeito que eu achava que faltava, me jogando sem planejar muito pelo máximo de lugares que pudesse conhecer.

Chegando aqui, mudei os planos de última hora e quis ficar mais em Berlin (um dia escrevo mais sobre isso, mas é realmente arriscado pisar aqui e conseguir ir embora).

Desde que comecei a trabalhar, juntei meu dinheiro pra viajar pros lugares que queria, vim pra Europa pela primeira vez assim, atacando muito de dj em lançamentos de loja com pessoas “da moda” que me maltratavam, eu odiava, mas aguentava pensando na passagem que ia comprar. Agora estou ficando um pouco mais pela primeira vez, estudando alemão pra aprender uma coisa nova na vida, vivendo uma cultura diferente, toda a experiência de estar em um lugar novo, coisas que nunca tive na vida, ou porque não tinha dinheiro ou porque só tinha férias curtas.

Eu tava bonitinha no hospital, toda espetada, quando prometi que se tivesse saúde pra viajar eu viajaria até último centavo, ou até cansar, ou até ter realmente porque voltar. A solidão e a saudade, são o preço que eu pago pra poder aproveitar esse tempo que ganhei, não se pode ter tudo.

Só que, mesmo com as dificuldades, tô feliz. Tô muito feliz.

Medo de avião

 

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Anormal pra mim é quem se sente super seguro e corajoso quando viaja lá de cima. Se você é assim parabéns, parabéns mesmo, hein!

Na boa, o normal é ter medo, muito medo, de cada balancinho, barulho, pavor descontrolado da decolagem e horror ao pouso, vontade de pular no colo de aeromoças pra elas te consolarem abraçando e aquela dúvida na cabeça toda vez que decide viajar ou se deslocar para um lugar muito longe: “será que eu devo mesmo ir? Vou ter que entrar nesse troço pra chegar lá daquele lado…”

Bem que eu adoraria ser uma dessas anormais que acha uma delicinha pegar um voo longo, mas infelizmente sou só mais uma, aquela clássica pessoa que toda vez que chega num lugar agradece muito com os olhinhos fechados e cogita nunca mais voltar pro ponto de partida, só se for de navio ou carro.

Nos últimos meses passei pelos piores perrengues aéreos, porque nunca tinha voado tanto na vida em tão pouco tempo. Nenhum problema foi com eles praticamente, todos foram problemas comigo, com a minha cabeça.

Em fevereiro desse ano, meu medo de avião estava num grau tão irracional absurdo, que gritei com um homem na ponte aérea. Ele não desligou o iPad na decolagem e fiquei histérica, levantei quando não podia, chamei a aeromoça, troquei de assento, comecei a chorar olhando pra um cara ao lado que ficou mais em pânico do que eu, por ter uma mulher louca chorando olhando pra ele numa decolagem de ponte aérea.

Quando eu decidi largar tudo que estava certo e comprar um monte de passagens só de ida longe do conforto da minha casa linda, limpa e silenciosa com uma TV enorme e Netflix (desculpem me emocionei escrevendo isso, como pude largar isso mesmo?), só uma coisa podia dar muito errado: o medo de avião.

Como você viaja se tem medo de avião, como você visita parentes que moram longe, trabalha em outro estado quando precisa?

Comecei a escrever esse texto que você está lendo dentro de um avião, sem sentir nenhum medo, olhando a paisagem e checando a turbulência, fazendo vídeos pela janela e analisando a capacidade do piloto em fazer um bom pouso. Repare bem, a foto que abre esse post, fui eu mesma que tirei da minha janelinha! Algo impossível de se pensar pra quem tem realmente esse tal desse medo.

Mas como? Não sei! Quer dizer, sei mais ou menos!

Na hora que a coisa apertou de verdade, que comecei a dar chiliques com as pessoas, tive que pesquisar pra entender de onde vinha e pra onde iria isso. E nessa maravilhosa internet, tem links intermináveis sobre esse medo e como “superar”. Tem também uma psicóloga mega ultra especializada em São Paulo, mas com certeza é bem caro e tem até sessões práticas dentro da ponte aérea. Como eu precisava gastar meu dinheiro em cerveja na Alemanha, tive que aprender pelo Google mesmo a sobreviver.  E essas foram as coisas que mais me ajudaram e queria compartilhar agora:

- Ler TUDO sobre medo de avião no Google, sobre essa fobia, esse trauma, de onde pode ter vindo, mas também de onde pode não ter vindo, sei lá. Clicar em links de “medo de avião” já é ter muita coragem quando você tem realmente medo de avião. Porque quando você tem realmente medo de avião, você não consegue pensar nisso, já que acha que vai estar colocando a energia nesse pensamento e só por isso alguma coisa vai dar errado, tipo agora que estou apavorada escrevendo isso, ai meu Deus! Mas vamo lá!

- Ler TUDO sobre avião e como que essa parada aê funciona! Por que ele balança, por que tem tanta turbulência, por que cai aquela mascarinha e quando ela pode cair, por que faz um barulho bizarro quando sobe e por que fica silencioso quando vai descer, por que ás vezes para de fazer barulho e você acha que o mortor pifou e todos vão cair, por que apaga a luz pra pousar no escuro, por que por que por que? Quando eu virei nerds de tudo isso aí diminuiu meu pavor muito, muito mesmo, porque agora sei alguns motivos das coisas acontecerem e sou a pessoa chata que fica explicando para amigos em bar coisas técnicas de avião depois da terceira caipirinha. Sim, sou essa pessoa.

-Ler TUDO sobre as desgraças. Muito pessoal, mas acontece comigo, percebi que preciso saber detalhes de todas porque aí me sinto mais segura sabendo que está tudo bem e tenho certeza que gostaria de ser avisada por Jah caso alguma coisa dê muito errado graças ao meu conhecimento “desgraçal”, então eu leio sim.

- Ter coragem de falar sobre o medo com as pessoas. Coisa ruim em geral, quando você quebra o tabu e fala sobre, fica mais suave na vida, mais fácil, ouve umas opiniões talvez. Eu falo sobre isso com todo mundo, pergunto pra todo mundo “você tem medo de avião?” e quando a pessoa não tem, faço ela me ensinar a não ter, quando tem, bem… temos assunto pra umas duas horinhas de bar, que tal esse tema de date do Tinder? Olha a dica amorosa, não deixa passar não!

- Entender que na sala de embarque tá quase todo mundo com medo e não é uma exclusividade sua, isso nao é um sinal de que você tem um sexto sentido, é apenas medo, você não é vidente. Simplesmente todo mundo tá pensando “mãe, eu te amo! tchauuuu, merda, fudeu!”. É…

- Entender que desgraça pode acontecer em qualquer lugar e de qualquer jeito. Infelizmente é isso, pessoal! Carro é super perigoso, eu acho um pavor, prefiro ir a pé. Mas a pé pode acontecer uma desgraça também e no metrô também, na sua bike também, na sua casa enquanto dorme também. Então na boa, não vamos deixar de viver pra ficar pensando nisso (esse é um recado pra mim também).

- Entender que o celular não vai derrubar nada. E isso você pode aprender lendo sobre avião, que obviamente nem vou tentar explicar porque não tenho essa capacidade. Mas na boa, aqueles cretinos de ponte aérea que não desligam celular e iPad de birra, seus cretinos, tenho anotado o nome de todos vocês, mas vocês não vão tirar meu brilho, pois eu agora sei tudo!

- Fazer exercícios de respiração e rezar muito! Para mim funciona muito ás vezes, no começo do pânico principalmente. Pra Buenos Aires esse ano, fiquei as duas ou três horinhas da ida rezando e da volta também, me ajudou a superar, porém, duas horas rezando é pra purificar a alma de qualquer pessoa. Respirar fundo, expirar lentamente, é a dica que vai ter em todos os lugares que você ler sobre, isso é tão chato e dói a cabeça que você começa a prestar atenção que tá na bad tipo parindo em novela e nem lembra muito do voo.

- Bebida de avião e remédios, tem que tomar muito cuidado!!!! Primeiro porque aquele vinho de avião é um veneno de tão ruim, mas remédio, ai “minhas amiguinha” (dica da Palmirinha), pode dar uma merda bem grande. Tá, não vou mentir, ele pode ser muito maravilhoso porque te faz dormir ou ficar mole, meio grógue das “idéia”, mas tomei um Stillnox indo pra São Francisco e dei um vexame horroroso, abordei as pessoas ao lado pra puxar assunto com elas, perguntando o que elas achavam que tinha acontecido com o voo da Malasya desaparecido naquela semana, pedi duas cervejas (?) pra aeromoça e disse pro homem sentado ao meu lado que eu “curtia Courtney Love, se ele curtia também?”.

Depois disso, não vou mentir, tá? Tomei “unzinho” vindo pra Barcelona porque eram umas 13 horinhas, mas tomei e dormi direto, linda, acordei na Espanha bronzeada e sensual espanholita.

- Mas o que realmente funciona sempre comigo, essa é a grande dica de ouro, é pensar na Beyonça. Penso na Beyoncé toda vez que entro num avião e qualquer semi medo aparece, porque ela é maravilhosa e diva como todos sabem, mas ela deve pegar voo quase todos os dias no jatinho de diamantes cravejados dela pra fazer shows, aparições, entrevistas e ficar na praia magnífica com a Blue Ivy tirando fotos. E querida, se a Beyonça pega trocentos voos por semana e tá aí maravilhosa e superada, quem sou eu pra sentir medo? Jamais!

E assim tento levar essa vida, não vou mentir, nesse momento estou um tanto quanto maluca e desmarquei uma viagem porque a companhia era “duvidosa” no meu critério, essa semana de três acidentes bizarros foi bem difícil pra quem tem medo, ex-medo ou futuro medo. Mas pense só, com medo você nunca vai chegar num lugar que ama ou que ainda vai amar, nunca vai visitar quem ama (ou ainda vai amar), nunca vai realizar sonhos ou pelo menos tentar. Me sinto Xuxa Meneghel falando isso, mas quando eu tava indo pro México apavorada em março, pensava o tempo todo “pelo menos se der merda, tentei chegar no México”. E faz total sentido, né?

 

 

Quase famosa – como ter muitos seguidores na internet! (sem precisar da Kim Kardashian e na vida real)

Outro dia recebi um email com uma proposta sedutora, turbinar meus seguidores para muito mais, centenas de milhares, fácil e indolor, dormir gata borralheira e acordar Cinderela. Era tão interessante o email, que não consegui parar de ler, muito menos de responder para saber mais. Eu queria saber mais e mais, não conseguia parar de saber dessa proposta de “um milhão de dólares em barras de ouro virtuais”.

Nesse post mostro o printscreen  da conversa toda, ele é imenso, mas sabe como é, eu não consigo parar de dar corda e ficar chocada com como funciona esse mundo da internet, onde realmente qualquer um pode ser muito famoso, seguido e ter muitos likes em tudo o que posta.

Se você acreditava de coração que tudo que vê é verdade, pegue um lencinho de papel porque talvez rolem lagriminhas.

Começou assim:

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Atenção porque vamos falar de dinheiro!

 

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Eu, encantada com o email da criatura, respondi na mesma hora!

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Bruno, cujo sobrenome guardamos para manter anônimo, começa então sua grande saga de me tornar uma celebridade virtual

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Mas como sempre quero mais, eu não poderia me contentar só com likes e seguidores, queria comentaristas, queria confetes na minha fama!

 

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 E como sou batalhadora e tenho força de vontade, rolou sim!

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Era o grande negócio da minha vida! Atenção pra última frase: “Com likes e comentários, te deixar famosa…” Ah, que sonho, esse dia chegou! 

Mas ele tem seu preço!

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E o preço ás vezes é mais caro do que imaginamos…

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Mas eu ainda tinha algúmas dúvidas sobre esse job tão bom

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E não é qualquer um  não, viu gente!

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Giovana, Rafael? Entendiii, ok!

Depois disso, agradeci pelo orçamento, mas disse que agora não posso investir esse dinheiro na minha fama online. Que pena, ficamos de nos falar mais pra frente, caso eu esteja financeiramente pronta para enfim ser famosa., e as empresas verem que sou muito seguida e tenho muitos likes e comentários e investirem em publis comigo, para ganhar roupas porque afinal formo a opinião de milhares de seguidores que só crescem em números e likes, ser convidada para festas para postar pra aquela multidão de likes que não deixam escapar nenhum detalhe do que escrevo, principalmente aquela danadinha da Giovana, sempre comentando, sempre presente.

A vida. Ela é mesmo muito louca amigos….

(e sem preconceito algum, caso queiram o contato da agência pra conseguir ficar famosos na “websfera”, é só solicitar em jana@janarosa.com.br que dou o nome da empresa. Infelizmente não dá mais pra brincar de ajudar, pq não para de chegar vários pedidos todo dia)

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